ALDEOTAS, de Gero Camilo

por Gustavo Gitti | 18/09/2004 17:28 | 0 comentários

Fui ver esta peça num lugar a uns 800 metros de onde moro, chamado Teatro do Centro da Terra. É isto mesmo: para entrar você tem de descer quatro lances de escada em um escuro total (com fumaça para piorar a visão), ouvindo um som que parece vir do centro da terra! É uma experiência totalmente imersiva.

No final, você bate na porta e alguém abre. Ficamos esperando em um hall bem amplo, com gente bem maluca. Estava ali também o Rodrigo Santoro, amigo de Gero Camilo, com quem contracenou em dois filmes.

A peça é algo inesquecível, de uma poesia quase igual a de Guimarães Rosa. Olha só o trecho inicial:

“Um dia desses na vida, depois de bastante ter ido, regressei aldeota de amigos. Tinha quase outro olho. Era tudo mesmice de boa gente. A casa, a rua, passeios de adormecer de sol. Até o tempero era o mesmo, banhando a boca de desejo de comida de mãe. Era tempo aquele”

No fim da vida, ensina Camilo, todos nós seremos chamados pelo nosso verdadeiro nome (o dele era “Obaiê”) pelos meninos que brincam no centro da Terra. E eu não tenho motivos para duvidar disso!

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