Babel e o Centro do Mal

por Gustavo Gitti | 02/02/2007 20:05 | Comente!

BabelO que você faria se encontrasse o responsável por todos os males, crimes, injustiças e catástrofes da humanidade?

A garrafa de whisky custava exatos 199 reais. Um dos meninos olhou, tateou e se afastou. O outro, irritado, meteu a mão, aproximou do limite da prateleira e deixou ali. “Vai, pega!”. Mas ele mesmo foi e pegou. Na fila do caixa, diante de todos, sem tentar esconder, ele colocou a garrafa embaixo da camiseta e andou lentamente para fora do supermercado. Pelo menos umas cinco pessoas viram tudo acontecer de perto e fingiram uma aparente ingenuidade. Quem se camuflava e se escondia ali eram os cidadãos da classe média e não os ladrões! Eles me pediram licença, eu hesitei, abri espaço e esperei os dois saírem para avisar um funcionário. Pensei que seria melhor eles se darem mal agora com um whisky do que futuramente com uma vida em mãos. Fui para casa lembrando dos olhos do menino que pegou a garrafa, assustado com qualquer pessoa ao redor, tomado pelo medo e pela certeza de que, sim, as coisas podem dar errado, bem errado, e que não há nenhuma justiça suprema nos protegendo.

Semana passada assisti ao genial Babel, fruto da mesma parceria (Alejandro González Iñárritu e Guillermo Arriaga) que gerou o igualmente excelente 21 Grams. Babel (no spoilers ahead, podem ler despreocupados) é ainda mais deserto e sem esperança do que seu antecessor. Um longo repouso na dor, uma meditação analítica sobre o sofrimento e sua insubstancialidade, sobre a culpa e sua inexistência. Ao contrário do que enfatizou a mídia, a força do filme não está em discutir culturas e barreiras ou a interdepedência dos tecidos humanos (tão bem explicitada por filmes como Crash, Magnolia ou pelo próprio 21 grams). É algo muito mais simples: nos comovemos ao perceber como as coisas, inevitavelmente, dão errado e como não há ninguém para culpar.

Em Magnolia, aliás, há uma cena emblemática: um dos personagens gasta todo seu dinheiro para colocar aparelho nos dentes e pouco tempo depois cai com a boca no chão, quebrando toda a arcada superior. Well, shit happens, e simplesmente não há nenhuma saída para isso. Para além do pessimismo (que esconde uma esperança das coisas darem certo), essa é uma perspectiva liberadora pois nos força a repousar na incerteza. Com ela em mente, é possível se livrar das características de filhos mimados que confiam em um pai e mãe superiores e encontrar uma saída que seja verdadeiramente autônoma e transcendental, além do domínio dos fenômenos, além do alcance da merda. É a base, por exemplo, da Acceptance and Commitment Therapy – ACT (lê-se como “ação” em inglês, não como sigla), desenvolvida por Steven Hayes, psicólogo e professor da Univerdade de Nevada. Para tal treinamento de liberdade, temos de enfrentar aquilo do qual fugimos e contemplar detalhadamente a face do mal.

O menino do mercado poderia ter se desesperado e matado uma mulher. Seu marido culparia o menino, a desigualdade social, a economia, os seguranças do mercado, Deus ou a si mesmo (por ter levado a esposa aquele dia para as compras)? O marido poderia matar o menino logo em seguida. Quem você culparia? Isso ocorre todos os dias e não é nenhum absurdo que seja assim. Babel mostra o que aconteceria se investigássemos cada crime, cada morte, cada injustiça, cada atrocidade e encontrássemos, enfim, o grande culpado por tudo. No filme, temos a chance de olhá-lo nos olhos.

Pois saibam que a fonte de toda negatividade, o centro do mal, o criminoso supremo que Hitler mal conseguiu imitar, é um menino marroquino que ri, se masturba, se apaixona e sente o vento de braços e poros abertos. E, antes que perguntem, não estou brincando, sendo irônico ou querendo dizer outra coisa. Isso não é uma metáfora. O centro do mal é um menino. É ele o responsável por todas as mortes, roubos, desastres, catástrofes, problemas, seqüestros, bombas e acidentes afins. O filme também nos oferece a oportunidade, inédita, de matá-lo. Nós com uma metralhadora e ele de braços para cima assumindo em voz alta todos os crimes já ocorridos em todos os tempos e espaços humanidade afora.

Infelizmente não conseguimos (podemos, mas não desejamos) matar o menino. Ele é por demais bom. Sua natureza não é má. Ao olhar a fragilidade e docilidade do menino, eis que algo que se torna óbvio: o centro do mal não existe. Não temos sequer um inimigo a combater senão nossa própria cegueira em ver inimigos em todo lugar! Voltando ao argumento da saída transcendental, agora é fácil entender que temos de parar de buscar um local seguro que não seja atingido pelo mal. Haverá mal onde houver cegueira: ele nos perseguirá até o topo da montanha encantada da felicidade.

A saída é encontrar o menino que incessantemente aponta para nossa natureza livre e luminosa, que desde sempre está além de qualquer negatividade, além de bem e mal, intocada pela merda. No mundo construído do “shit happens”, cada coisa nasce e morre, cada coisa sofre e se desespera, enquanto nossa verdadeira natureza assume e desconstrói todos os pecados, perdoa a si mesma logo de saída e sorri para cada desastre ao ver que todos ali estão livres das bombas, que seus verdadeiros corpos não nasceram e não serão destruídos. Somos, cada um de nós, o menino que se masturba e se apaixona. Quem, então, poderemos culpar?

“Sob o ponto de vista convencional, não negamos o bem e o mal, noção que consideramos verdadeira. Mas afirmamos que, sob o ponto de vista absoluto, sob uma visão última, não há um centro do mal. O que existe, sob o ponto de vista absoluto, é a compreensão de que a nossa natureza não pode ser afetada pelas circunstâncias que afetam nossas identidades e nosso corpo. Portanto, sob o ponto de vista da natureza última, não há nada que nos derrube, nos afete, nos destrua. Olhando em qualquer direção, não vamos localizar uma origem de mal, vamos ver apenas uma natureza ilimitada vitoriosa, que não pode ser atingida. É uma perspectiva muito importante, pois não vamos trabalhar com a noção de que há um centro do mal, ou que há um complô que deseja afundar o navio, ou que as pessoas querem a infelicidade ou querem justamente o sofrimento. Não vamos trabalhar com essa noção. Isso não é muito simples, pois esta noção de exclusão, de mal, está muito arraigada dentro de nós — a idéia de que precisamos de uma espada ou um revólver e assim tudo vai ficar melhor.” –Lama Padma Samten

* Texto publicado na revista de pensamento budista Bodisatva nº 15.

Saw III (Jogos Mortais 3)

por Gustavo Gitti | 07/11/2006 23:59 | Comente!

Fui ver hoje, exatamente um ano depois de ter visto o segundo. Mesmo cinema, mesma sala, mesmo tamanho de pipoca. Um ritual estranho meu… ;-)

Se eu desconsiderar o excesso de violência e a falta de arte (interpretação dos atores, direção, edição) nas histórias dramáticas do filme, diria que Saw III é um excelente filme.

É impressionante como a idéia original (desvelada somente no fim do primeiro e bem explicada no segundo) não se perdeu, ao contrário das sequências da maioria dos filmes.

Com Saw III, eu reafirmo o que escrevi assim que vi o segundo da série: “Jogos Mortais: Transcendência na carne”.

Se Deus tivesse uma face humana, ele não seria Sidarta nem Jesus. Ele seria John Cramer, Jigsaw. Para mim, a cena final é a ação suprema de Deus, como nunca antes filmada.

Saí do cinema andando sozinho na Paulista e fazendo uma lista mental de todas as minhas negatividades, de todos os motivos que levariam Jigsaw a me prender e propor um jogo. A lista é grande e é melhor eu começar a fazer alguma coisa a respeito… Time is running. It’s my choice: to (really) live or to die.

Let the game begin!

Bolero e Click

por Gustavo Gitti | 12/09/2006 9:40 | Comente!

“He’s always chasing the pot of gold, but when he gets there, at the end of the day, it’s just corn flakes.” (fala do personagem Morty, no filme Click)

Há uns tempos eu desisti de tentar viver uma vida completa e socialmente adequada: pós-gradução, trabalho rentável, casa na praia e 2 filhos. Não que eu não queira tudo isso (quero muito, especialmente os filhos), mas eu desisti de gastar minha vida tentando viver essa vida. “At the end of the day, it’s just corn flakes”. E então eu comecei a viver, simplesmente.

David Deida diz que de todos os momentos, tudo o que resta ao fim, tudo o que lembramos de fato, é a abertura que fomos — ou seja, o quanto estávamos abertos, livres, inundados de amor. Tudo o mais passa: sentimentos, sensações, pessoas, pensamentos, eventos. O que importa na vida é a abertura.

Foram anos até que eu começasse a viver. No início do ano comecei a focar mais em práticas de abertura. Em vez de só fazer faculdade e trabalhar para algum dia ser feliz, foquei em práticas que fossem elas mesmas expressões de felicidade (como um jogo gostoso, que nunca têm sentido fora de si mesmo). Por isso, hoje sou um sortudo. Não mereço, mas sou aquele cara que teve uma segunda chance (várias), como no Click, e pode agora morrer a qualquer momento com um sorriso no rosto.

Nesse final de semana tive um dos momentos mais belos de minha vida. Foi só uma música lenta, um bolero olho no olho com a mulher da minha vida. Poderia morrer logo depois e tudo teria valido a pena, tudo faria sentido. Em um momento de amor e abertura, os medos colapsam, as esperanças derretem. Ficamos só nós e o horizonte de nós mesmos.

Escrevo aqui com o desejo de que todos possam viver mais do que isso, várias vezes em uma só vida. Escrevo aqui sabendo que um dia morrerei, mas confio nesse amor que nunca nasceu e que segue intocado pela morte de todos os seres. Na verdade, somos isso: abertura e amor.

Hoje eu amo, e nesse amor lentamente me libero de mim mesmo. Um dia conseguirei não ser mais eu.

Lady in the Water: a magia do sonho coletivo

por Gustavo Gitti | 04/09/2006 1:42 | Comente!

A Dama na Água

“As pessoas estão presas, mas quando nós as vemos presas nós as aprisionamos, damos nascimento a elas como pessoas presas. Mas elas não estão presas! Elas pensam que estão presas e eu também penso que elas estão presas. Por isso, nós não permitimos que elas surjam livres.

Então o primeiro passo é vermos aqueles seres livres. Quando desenvolvemos essa visão, nós vemos a devastação do karma, porque nós, de modo geral, olhamos as outras pessoas e as aprisionamos com nossos olhares. Nós não permitimos lugares às pessoas, não damos nascimentos de liberdade para elas. Nós congelamos elas. Nós vemos a devastação do que significa dar nascimento inferior aos outros, e a devastação que isso causa para nós porque tentamos aprisionar o outro à nossa visão e ele anda, e aí temos sofrimentos no meio de tudo isso.

Nós vemos como é maravilhoso agora nós olharmos essas pessoas todas e agora nós vamos dar nascimento elevado para eles. Ou seja, eles podem, eles têm qualidades, todos eles têm a natureza de liberdade, eles podem fazer diferente do que estão fazendo. Nós começamos a pensar também assim. Não só vemos a paisagem, como na nossa mente começamos a raciocionar e podemos até dar sugestões, facilitar coisas, para aquele ser comece a se manifestar segundo essas qualidades que nós negávamos.

Então, quando nós damos esse nascimento sutil a partir de uma paisagem que inclua o outro de uma forma elevada, tudo se transforma.”

Lama Padma Samten

[No spoilers para quem ainda não assistiu, leia sem receios]

Uns adolescentes rindo na fileira de trás. Não sei se tiravam sarro do filme ou de mim, que chorava. Esse é o espírito de Lady in the Water, o novo do M. Night Shyamalan. Se você aceita ser criança e se está acostumado a viver mitos, o filme se desenvolve como uma obra-prima. Se vive factualmente como um adulto comum, não há envolvimento e as cenas mais significativas passam a ser as mais engraçadas, clichês patéticos, ridiculamente inverossímeis.

O roteiro do filme é baseado em uma história que o diretor contava para seus filhos. Virou livro. Assim como em seus outros filmes, o tema espiritual é bastante claro e pode ser interpretado tanto por um viés mais judaico-cristão quanto por um olhar budista. “Propósito”, “missão na Terra”, “destino”, diriam alguns cristãos ou alguns kardecistas. Mas prefiro pensar que o filme fala algo mais simples ainda: como um ser pode adentrar uma pequena comunidade e instalar ali a magia da liberdade e um espaço de acolhimento e de amor – aqui entendido como a capacidade de ver as qualidades positivas dos outros e desejar que elas aflorem.

Assim como Sinais não era sobre extraterrestres e A Vila não tinha nada a ver com isolamento social, A Dama na Água também não é uma história sobre ninfas e monstros. É um ensinamento para que possamos agir com liberdade de visão, reconhecer qualidades nos outros e trabalhar para que elas se desenvolvam.

Em vez de propósito pré-definido, os seres possuem apenas configurações cármicas (o simples fato de ser homem ou mulher é um deles). Curiosamente, é justamente desses condicionamentos, inicialmente aprisionantes, que nascerão os meios hábeis específicos para nossa atuação no mundo. Se hoje sou um esquizofrênico, quando curado terei muita habilidade para tratar loucos. Se hoje lidero com facilidade minha gangue de traficantes, amanhã poderei liderar um projeto pela paz. Ou seja, quando a lucidez passar por seu corpo e mente, haverá apenas um Buda como você — e o mundo precisa urgentemente de todas as nossas habilidades inundadas de sabedoria e compaixão.

Nosso propósito não está definido, já diziam os existencialistas. Temos de nos observar e perceber quais são nossas habilidades e como podemos servir a essa inteligência que faz as coisas funcionarem, a esse amor que faz as galáxias girarem e as abelhas polinizarem as flores. “O que eu tenho a oferecer?” parece ser a pergunta-chave para nos abrir ao mundo e para que o mundo se abra a nós. Quando direcionado com um olhar ao outro (“O que ele pode oferecer?”), é também a pergunta que o faz irradir o seu melhor, e cujas respostas o abrem para nós e para ele mesmo.

O percurso do filme deixa claro que nossas histórias não fazem sentido nelas mesmas e, principalmente, que nossas habilidades e identidades são inúteis dentro de nossa própria história! Nossos sonhos individuais são estéreis e fadados à decadência. Nossas histórias e nossas habilidades são parte de um sonho coletivo; temos apenas de trazê-lo à tona, encarnar o mito.

Vivemos uma vida com sentido na medida em que nos conectamos com os outros usando o melhor de nós e quando, com nossa simples presença, fazemos surgir o melhor de cada um. Nossas mãos são a sabedoria. Nossa pele, a compaixão.

Em uma das falas finais do filme, vemos que salvamos a vida do outro quando a acolhemos, percebendo o que ela pode vir a ser e ajudando o outro a nascer dentro desse novo sonho mais elevado, mais virtuoso. Podemos nos salvar uns aos outros, infiltrar magia por todo lado e nos entregarmos a novos mitos, como crianças brincando de faz-de-conta. A natureza onírica e insubstancial do real nos permite isso: que imaginemos, fantasiemos e criemos uns aos outros, como que em uma inverossímel fábula na qual todos desejam acreditar.

* Publicado na revista de pensamento budista Bodisatva nº 16.

Arte no fim de semana

por Gustavo Gitti | 26/08/2006 23:22 | Comente!

Ontem vi I Heart Huckabees. É o meu tipo de filme. Trilha do grande Jon Brion (produtor da Fiona Apple, fez Magnolia, Eternal Sunshine of the Spotless Mind), com Jason Schwartzman que eu adoro (fez Shopgirl, que aqui ficou “A Garota da Vitrine”) e a sempre linda Naomi Watts. “It is inevitable to be drawn back into human drama”…

Estou ouvindo o novo do Skank, Carrossel. Eu já tinha gostado do Cosmotron, então estou achando este excelente também.

“O horizonte sem fim que carrego agora sobre a pele
Ao caminhar para acompanhar um outro de mim
No meu corpo, outra vez em você”
(Samuel Rosa e Arnaldo Antunes)

O Segundo da Maria Rita também está muito bom. Eu sou fascinado pela “Caminho Das Águas” (puta melodia simples e bonita essa!).

Hoje vi Le Temps Qui Reste (O Tempo que Resta). Até hoje estava perturbado pelo 5×2 (Amor em Cinco Tempos) também do Ozon… O novo é também perturbador e tem talvez a cena mais linda que já vi sobre a morte no cinema.

Hoje também participei de um projeto pelo CEBB SP, direcionado aos jovens, que mistura Artes e Budismo. Está sendo bem interessante. Convido você (é, você!) a participar!

No mais, a vida segue superando a arte, que teima em amplificar nossas experiências ao máximo, colocando-as no último volume, fazendo poema de cada momento, apagando a luz e projetando numa telona cada detalhe de nossos mitos.

Viviane Mosé

por Gustavo Gitti | 24/08/2006 0:49 | Comente!

A primeira coisa que dela ouvi foi: “corpo é vento condensado”. E pronto, ali soube que ela era uma das minhas. Sexta-feira, anos depois, li o seguinte trecho em pé numa livraria… Um dos mais lindos que já encontrei. É algo no estilo da Miranda July, nessa idéia de que o real inventado é o mais gostoso de todos. Como diria o poeta, o que seria de nós sem as coisas que não existem?

A Miranda e seu Me and You and Everyone We Know estão comigo até agora. Com dois livros da Viviane Mosé na mão (Desato e Toda Palavra), não resisti: comprei, mandei embrulhar para presente e no dia seguinte dei a uma estranha. Foi a melhor coisa que poderia fazer! Nunca senti alegria tão genuína, nunca vi um sorriso tão vermelho e surpreso! Tomara que ela esteja lendo agora e que um dia possa igualmente presentear um estranho…

“Como eu queria escrever a história de um homem sentado na janela de um trem de minas, de terno escuro de linho e óculos, olhando a menina moça que vende doce de leite em forminhas de empada. Ele olha pra ela e depois o foguista ganha uns peixes do rapaz que um dia vai enamorar dela e casar. O rio corre ao largo sempre ralo e barrento. O homem de terno escuro olha como eu gostaria de ter olhado, a estação e a menina, que nem percebe o rapaz que deu os peixes e mora na pensão. Marília talvez fosse o nome dela. Marília de vestido amarelo amaria na relva o rapaz, somente pra que eu pudesse compor o amarelo em marília, ou o amor dos dois na relva. Caso pudesse suportar. Caso não fosse eu essa represa de poros por onde tudo vaza aos pouquinhos. Escorreria entre as mãos da mãe de Marília em casa, ao redor das crianças menores e limpas, tão limpas como o paninho bordado que forra a bandeja de doces. E o rapaz dos peixes eu o faria filho mais velho de uma mulher miúda e forte. Eles se amariam. aquela mulher e seu filho mais velho. Quando ela morresse ele choraria enrolado no chão como uma cobra. E a ternura dos olhos da mãe fincando morada nos olhos dele. O homem de terno escuro me pergunta e agora? ele quer saber pra onde eu vou levar essa gente e eu digo que essa gente me leva.” (Viviane Mosé)

North Country (Terra Fria)

por Gustavo Gitti | 21/08/2006 18:00 | Comente!

“You know you can make a name for yourself,
You can hear them tires squeal,
You can be known as the most beautiful woman
Who ever crawled across cut glass to make a deal.”
Bob Dylan

A Charlize Theron está realmente perfeita nessa filme! Bom, pode ser clichê o final e algumas escolhas da diretora, mas eu chorei praticamente o filme todo (Frances McDormand, Sissy Spacek e Woody Harrelson num mesmo filme é algo demais pra mim) ao pensar em toda a história das mulheres, em cada estupro, em cada violência. De fato, a história real é impressionante. Os extras do DVD trazem depoimentos das mulheres que trabalharam nas minas e esse site também oferece muitas informações sobre o assunto.

Link do IMDB. No fim do filme, é indicado um site muito interessante: http://participate.net/standup