Dzongsar Rinpoche sobre o sentido da vida

por Gustavo Gitti | 03/07/2007 14:11 | Comente!

“Não é apropriado perguntar a um budista: “qual é o propósito da vida?” porque isto sugere que em algum lugar fora daqui, talvez em uma caverna ou no topo de uma montanha, existe um propósito último. Esta questão sugere que nós poderíamos decodificar o segredo estudando com santos vivos, lendo livros, ou dominando práticas esotéricas.

Budistas não acreditam que há um deus criador, e não tem este conceito de que o sentido da vida foi, ou precisa ser, definido. Uma pergunta mais adequada para fazer a um budista é simplesmente “o que é vida?”. Do nosso entendimento sobre impermanência, a resposta poderia ser óbvia: “vida é um grande conjunto de fenômenos reunidos, e assim vida é impermanência”. É uma mudança constante, uma coleção de experiências transitórias. E mesmo que existam miríades de formas de vida, uma coisa todos temos em comum, que é que nenhum ser vivo deseja sofrer. Todos nós queremos ser felizes, desde presidentes e bilionários a formigas trabalhadoras, abelhas e borboletas.

É claro que, a definição de “sofrimento” e “felicidade” difere muito entre as formas de vida, mesmo dentro do relativamente pequeno reino humano. A definição de sofrimento para uns é a definição de felicidade para outros e vice-vesa.

Mesmo para um único indivíduo, a definição de felicidade e sofrimento flutua. Um leve-emotivo momento de flerte pode repentinamente mudar quando alguém deseja um relacionamento mais sério; esperança se torna em medo. Quando você é uma criança na praia, fazer castelos de areia é felicidade. Quando adolescente, olhar as garotas de bikini e os garotos surfistas com peitos grandes é felicidade. Na meia-idade, dinheiro e carreira são felicidade. E quando você está nos oitenta, colecionar vasos de cerâmica é felicidade. Para muitos, abastecer estas infinitas e sempre-mutáveis definições é o “propósito da vida”.

Dzongsar Khyentse Rinpoche, in What makes you not a budhist

"Do lado esquerdo de quem sobe"

por Gustavo Gitti | 07/05/2007 21:29 | Comente!

Ano passado eu fui ver a Cia. de Dança Mimulus no Sesc Pinheiros. O espetáculo era sobre tango e se chamava “De Carne e Sonho” (música ao vivo com uma orquestra de tango). Ontem, no Sesc Vila Mariana, foi a vez de “Do lado esquerdo de quem sobe”, uma verdadeira obra-prima que mostra o melhor da arte brasileira. Fiquei muito feliz ao saber que este mesmo espetáculo será apresentando na França, no Maison de La Danse.

A Mimulus não reproduz as danças de salão e não faz dança contemporânea tampouco. Assim como Ivaldo Bertazzo e Denise Stoklos, Jomar Mesquita (líder do grupo) tece paralelos entre alegria e romantismo, movimenta os ânimos do público, brinca com nossas emoções e aponta para o transcendente – faz pura arte. Minha namorada já assistiu a muitos espetáculos de dança (de todos os tipos) e nunca havia chorado. Neste ela se dissolveu toda, especialmente na dança de Jomar com Juliana. Confesso que ali até eu considerei as lágrimas como uma consequência do que eu estava sentindo. ;-)

Não só a dança é boa (flertando com passos de samba de gafieira e um pouco menos com lindy hop), mas o espetáculo como um todo: a poética, a ludicidade, a originalidade. Há danças com cordas, teatro, humor, cenas de extrema sensibilidade. Cada coisa usada na medida certa, sem excessos. Tudo isso sustentado por uma das melhores trilhas que já ouvi, de Yamandu Costa e Thiago Espírito Santo. Simplesmente um show! Se fosse só a música, já teria valido a pena.

Em tempo: “mimulus” é também o nome de uma flor.

Glen Velez no Brasil!

por Gustavo Gitti | 05/05/2007 18:16 | Comente!

Ano retrasado foi o John McLaughlin e Zakir Hussain com Shakti. Esse ano foi Béla Fleck. E agora Glen Velez? Eu sou muito sortudo mesmo! ;-) Não preciso dizer que é absolutamente imperdível. Ele e sua mulher, Lori Cotler. Anotem aí as infos:

Sesc Consolação (mapa)
Dias 22, 23 e 24 de Junho

6/22 & 6/23
Master Class
Mundo Percussivo
São Paulo, Brazil

6/24
Mundo Percussivo (SESC)
Concert w/ Lori Cotler
São Paulo, Brazil

Fontes: Site oficial do Glen Velez e Last.fm.

Alguns livraços

por Gustavo Gitti | 24/04/2007 5:48 | Comente!

Eis algumas obras que desejo muito ler…

Dragon Thunder: My Life with Chögyam Trungpa
Diana J. Mukpo

What Makes You Not a Buddhist
Dzongsar Jamyang Khyentse

Contemplative Science: Where Buddhism And Neuroscience Converge (Columbia Series in Science and Religion)

Alan Wallace

Happiness: A Guide to Developing Life’s Most Important Skill
Matthieu Ricard

Lack and Transcendence: The Problem of Death and Life in Psychotherapy, Existentialism, and Buddhism
David Loy

Theory U: Leading from the Emerging Futures (a ser lançado em Junho/2007)
Otto Scharmer

Show do Béla Fleck

por Gustavo Gitti | 23/03/2007 13:40 | Comente!

Eu tive a sorte de ir nas duas sessões. Na segunda, sentei na terceira fileira bem no meio. Melhor lugar impossível! Estava com medo de eles repetirem as músicas, mas incrivelmente foi totalmente outro show, ou melhor, a continuação do primeiro. Eles repetiram apenas uma música (Big Country) no bis do segundo.

Adoro o som deles há anos e nunca imaginei que eles um dia viriam para cá… Ao vivo eles são bem melhores e reúnem a empolgação do rock, o groove do funk e os improvisos do jazz, além do toque indiano em algumas melodias.

Béla Fleck tocou com o mestre do bandolim Hamilton de Holanda (vídeo aqui) e o Jeff Coffin, como sempre, tocou dois sax ao mesmo tempo:

Rhythmcolor Exotica

por Gustavo Gitti | 01/03/2007 11:35 | Comente!

Glen Velez and Dodhran

Um dia vou compor e tocar o padrão polirrítmico da música “Procession for Bess”, do album Rhythmcolor Exotica, do Glen Velez. E então me dissolverei por completo, sem rastro algum, como se nunca tivesse existido.

Polirritimia

por Gustavo Gitti | 03/02/2007 23:01 | Comente!

Tocando uma polirritimia 5:3 (ciclo de 15) na bateria. Meu amigo toca uma 4:3 (ciclo de 12). Gravado na minha antiga casa, em Nov/2005, e enviado para o criador deste método. Mais informações no meu blog sobre ritmo: www.takadime.com