Alguns livraços

por Gustavo Gitti | 24/04/2007 5:48 | Comente!

Eis algumas obras que desejo muito ler…

Dragon Thunder: My Life with Chögyam Trungpa
Diana J. Mukpo

What Makes You Not a Buddhist
Dzongsar Jamyang Khyentse

Contemplative Science: Where Buddhism And Neuroscience Converge (Columbia Series in Science and Religion)

Alan Wallace

Happiness: A Guide to Developing Life’s Most Important Skill
Matthieu Ricard

Lack and Transcendence: The Problem of Death and Life in Psychotherapy, Existentialism, and Buddhism
David Loy

Theory U: Leading from the Emerging Futures (a ser lançado em Junho/2007)
Otto Scharmer

Metáfora do barco vazio por Alan Wallace

por Gustavo Gitti | 30/03/2007 11:22 | Comente!


“Imagine walking along a sidewalk with your arms full of groceries, and someone roughly bumps into you so that you fall and your groceries are strewn over the ground. As you rise up from the puddle of broken eggs and tomato juice, you are ready to shout out, “You idiot! What’s wrong with you? Are you blind?” But just before you can catch your breath to speak, you see that the person who bumped you is actually blind. He, too, is sprawled in the spilled groceries, and your anger vanishes in an instant, to be replaced by sympathetic concern: “Are you hurt? Can I help you up?” Our situation is like that. When we clearly realize that the source of disharmony and misery in the world is ignorance, we can open the door of wisdom and compassion. Then we are in a position to heal ourselves and others.” –B. Alan Wallace, Tibetan Buddhism from the Ground Up.

Dzongsar sobre meditação

por Gustavo Gitti | 15/03/2007 15:22 | Comente!

“É claro, vocês sabem o que é meditação — sentar ereto, respirar normalmente e assim por diante. De qualquer modo, quando alguém está meditando, há um sentido de alguém fazendo nada. Isto é muito bom, efetivamente. A meditação é basicamente fazer nada, absolutamente nada. Isso é difícil! Milhares de milhões de pessoas querem fazer nada. Não atingimos isso ainda porque precisamos fazer coisas, se não assistir televisão, então ler um romance, ir a uma festa, cantar mantras, fazer piercings em nossa pele ou tingir nosso cabelo. Temos de fazer algo! A razão é que, quando não fazemos nada, nos sentimos sozinhos, não? E isso é algo que não gostamos porque há uma insegurança básica dentro de nós, e essa insegurança é efetivamente não saber se existimos ou não. E, a fim de nos convencermos de que existimos, precisamos fazer sexo, fazer compras ou fazer algo. A meditação é o oposto. A meditação é sempre encarar a verdade. Então, como encaramos a verdade? Fazendo nada. Isso é difícil!

Uma outra coisa, por que meditamos? Se quiserem seguir o caminho do Buddha, sua meta não é a de ser feliz. A felicidade não é nossa meta. A meta buddhista não é a felicidade. É muito importante saber isso. Então, é por isto que o buddhismo nunca deve ser entendido como terapia. O buddhismo é o oposto. O buddhismo realmente, realmente destrói! É muito deprimente. Se realmente quiserem praticar o buddhismo, ele realmente pode fazê-los ficar desorientados. Mas depois de algum tempo, vocês alcançam um certo nível, onde realizam que nada há a ser desorientado e então alcançam uma certa confiança. Então, suponho, vocês terão muita alegria, mas eu ainda não alcancei este estágio. Isso é apenas o que me disseram. Mas uma coisa que definitivamente sei é que o buddhismo nada tem a ver com felicidade. Por quê? Porque a felicidade é uma coisa instável, impermanente. A felicidade de amanhã é outra coisa depois de amanhã.

Quando os buddhistas dizem, “Possam todos os seres sencientes ser felizes”, o que eles estão dizendo? Quando falamos sobre felicidade, estamos falando sobre entender a verdade. Nada tem a ver com um sentimento. E vocês sabem que nossa felicidade mudou muito. Há pessoas com as quais nos excitamos ao ponto de nos tornarmos meio alegres quando as encontramos pela primeira vez. Depois de cerca de um ano ou dois, até mesmo a visão delas as aborrece. Estas coisas acontecem!

Então, agora, de volta à meditação. Fazer nada, isso é um trabalho muito difícil. Há duas coisas que são difíceis. Fazer nada e pensar que vocês podem fazer o que quer que gostem, viver em uma sociedade livre. Isso é muito, muito difícil! Mesmo que haja alguém que lhes dê a liberdade absoluta, vocês não a usarão. Não temos coragem. Não temos confiança para fazer o que quer que gostemos. Vocês podem pensar que são membros de uma sociedade livre. Não, vocês não estão livres dentro de suas próprias inibições. Isso difícil. Estas são duas coisas difíceis.”

Dzongsar Khyentse Rinpoche

Street Retreat

por Gustavo Gitti | 14/03/2007 15:59 | Comente!


“When we bear witness to life on the streets, we’re offering ourselves. Not blankets, not food, not clothes, just ourselves. In my life, street retreats have been my strongest practice of surrendering to not-knowing. I surrender personal knowledge and control and become one with the streets, receiving whatever the streets have to offer. It causes me to face fears, ask questions, and helps me shift my habitual way of thinking. It’s a major opportunity for no-self-discovery.” –Bernie Glassman

Em tempos de discursos new age, auto-ajuda e “auto-conhecimento”, é delicioso ouvir algo como “no-self-discovery”!

A idéia do retiro de rua é muito boa. No entanto, corre-se o risco dos praticantes gerarem excessivo orgulho (por estarem na rua como mendigos) ou sensações e situações um pouco artificiais.

Vou estudar a possibilidade de fazermos um pelas ruas de São Paulo. Precisamos de um mestre para coordenar isso. Será que a monja Coen ou o Lama Samten aprovariam a idéia? ;-)

Mais sobre isso no site do Zen Peacemakers e do Peacemaker Institute.

Novo post no blog "Não dois, não um"

por Gustavo Gitti | 10/03/2007 19:30 | Comente!

“Nós podemos restringir as emoções, pensamentos e movimentos corporais do outro somente com nossos olhos.”

“É porque mudamos constantemente que ficamos juntos. Ou seja, eu gosto do outro não precisamente pelo que ele é mas por aquilo nele que se transforma nos vários que o habitam. É a liberdade de um que se conecta com a liberdade do outro.”

“Minha teimosia ama a falta de argumentação do outro. Meu orgulho ama o complexo de inferioridade do outro. Esse conjunto de arpões constitui um casamento entre carências e medos. É por isso que aqui o ódio está a um passo do amor, como ensina a sabedoria popular: minha teimosia o ama enquanto ele não a confronta, meu orgulho o ama enquanto ele não o destrói, meu medo o ama enquanto ele me mantém segura e confortável.”

Mais no blog http://nao2nao1.blogspot.com

Alan Wallace sobre o momento presente

por Gustavo Gitti | 27/02/2007 10:42 | Comente!

“It is often the case that whatever we are doing, be it sitting, walking, standing, or lying, the mind is frequently disengaged from the immediate reality and is instead absorbed in compulsive conceptualization about the future or past. While we are walking, we think about arriving, and when we arrive, we think about leaving. When we are eating, we think about the dishes and as we do the dishes, we think about watching television. This is a weird way to run a mind. We are not connected with the present situation, but we are always thinking about something else. Too often we are consumed with anxiety and cravings, regrets about the past and anticipation for the future, completely missing the crisp simplicity of the moment.” Alan Wallace, Tibetan Buddhism from the Ground Up.

Bulhufas

por Gustavo Gitti | 23/02/2007 17:41 | Comente!

O fato é que não sabemos nada. E mesmo a posição humilde do “só sei que nada sei” também não se sustenta. Ambas são puro orgulho ou carência – e qualquer desses venenos só surgem porque desejamos camuflar nossa cegueira básica. Como ensina David Loy, temos medo de perceber a ausência de um “eu” central e por isso nos esforçamos para ser e existir. O mesmo com nosso conhecimento e nossas certezas internas. Temos medo de reconhecer nossa ignorância suprema e então caímos em visões particulares (a “só sei que nada sei” é uma delas, aliás).

Nós nos equilibramos em certezas e incertezas. Oscilamos entre saber e não saber. Mas mesmo com certezas e saberes, o fato é que não sabemos nada. Não sabemos sequer o que sabemos: escovar os dentes, conversar, escrever, trabalhar, olhar, andar. Sabemos muito, sim, e justamente por sabermos cada coisa é que não sabemos nada. Analise cada crença interna e verá que são todas grandes e complicados equívocos. Somos bêbados batendo cabeças. Não chegaremos a lugar algum.

Eu tenho dificuldade até em respirar, que é a ação na qual eu deveria ter a maior experiência. Imagine andar, falar, me comunicar. Imagine então pensar, sentir, amar. Imagine então viver… Eu respiro apenas durante 1% do meu dia. Isso nos dias em que eu respiro. Na maioria deles, eu tensiono o corpo e sigo contraído o dia todo. Uma vez no mês respiro fundo e lembro: “Como é bom isso!”.

Como não conheço a satisfação de uma vida cheia de respiração, busco sorvetes caros, chocolates, seriados, filmes, checar emails, livros, músicas, mulheres, diversão. E como não sei sequer ter prazer com a respiração, consumo toneladas de doces, conversas, palavras, sons e nada sinto. Toda ignorância é uma forma de anestesia.

Por que mesmo eu checo meus emails mais de uma vez por minuto mesmo quando estou concentrado fazendo outras coisas? Por que mesmo eu limpo minha lixeira e caixa de spam mais de uma vez a cada dez minutos? Será que eu realmente acredito que algum dia chegará um email que mudará minha vida? Qual o fim desse ciclo de insatisfação?

Qualquer fala ou decisão radical em relação a isso é perda de tempo. Qualquer certeza, qualquer incerteza, qualquer posição é estéril. Só nos resta a escuta.

Silenciosamente prestamos atenção aos sons do mundo. Sem descansar, sem vacilar, olhamos tudo, ouvimos cada movimento. Não é possível aprender nada, pois aprender é tentar falar enquanto se ouve. Apenas nos abrimos para o caos do mundo, sem poder sequer afirmar certezas ou incertezas e, pior, sem poder sequer deixar de lançar afirmações.

E então escrevemos em blogs, silenciosamente, oferecendo nossa escuta – e não nossa fala – ao outro. Oferecemos a espacialidade da nossa boca calada. Oferecemos o que não temos. Nossa ausência é o melhor presente e é, na verdade, nossa verdadeira presença.

O fato é que não sabemos nada.