Ficar no meio do fogo

por Gustavo Gitti | 20/11/2010 16:19 | Comente!

Duas instruções parecidas. A primeira de Chögyam Trungpa (que estou usando no rodapé aqui), em True Perception:

“Its like a frog sitting in the middle of a big puddle, with rain constantly falling on it. The frog simply winks its eyes at each raindrop that falls on it, but doesn’t change it’s posture. It doesn’t try to either jump into the puddle or get out of the puddle.”

A segunda de sua aluna, Pema Chodron, em No Time to Lose: A Timely Guide to the Way of the Bodhisattva:

“Bodhisattvas practice in the middle of the fire. This means they enter into the suffering of the world; it also means they stay steady with the fire of their own painful emotions. They neither act them out nor repress them. They are willing to stay ‘on the dot’ and explore an emotion’s ungraspable qualities and fluid energies – and to let that experience link them to the pain and courage of others.”

Calligaris sobre o passado

por Gustavo Gitti | 02/11/2007 10:45 | Comente!

“Nada passa, nunca; tudo o que acontece é indelével. Acrescento: sobretudo os amores, por mais que acabem, continuam vivendo, subterrâneos, dentro de nós, porque, bem ou mal, são essas as vivências que mais nos formaram e transformaram.”

“De qualquer forma, mais que a lembrança, os rastros do passado sempre assombram o presente e o futuro. Quando decretamos novos começos, ilusórios ou não, nem por isso conseguimos apagar nossa história: podemos apenas contá-la mais uma vez, quem sabe revisá-la ou corrigi-la, para pior ou para melhor.”

Contardo, ah o Contardo… Isso me lembrou de dois ensinamentos que já ouvi do Lama Samten: “todas as relações são eternas” (você não rompe uma relação, apenas a transforma) e “é possível alterar o passado” (ele é tão insubstancial quanto o futuro). Falei um pouco sobre isso aqui: “Como liberar o passado”.

Feel Before Memory – David Deida

por Gustavo Gitti | 29/09/2007 15:30 | Comente!

Essa é uma das coisas mais geniais que já li.

“What is important today is forgotten tomorrow. When it’s time to use the toilet, really time, all importance is reduced to the event. In bed at that moment, orgasm is all. Chased by a madman with a gun, there is nothing else; waking up from the dream, there is nothing else but relief. A child finds her doll important. A father finds his finances important. Riddled with cancer, an old man finds love important, as his eyes close one last time.

What do you find important, now, today? What did you find important ten years ago? Remember back to your earliest childhood memory, the very first time you can remember anything at all. What was important to you then?

Still feeling your very first memory in life, feel before that. What happens when you try to feel earlier than your first memory? Do you feel into blackness? Is there a sharp wall of time that stops you? Or can you feel an ineffable openness that seems to extend before your earliest childhood memory, an openness without clear bounds, an openness that is you even now?

Of every moment that has ever seemed important, all that remains is the openness who you are.”

–David Deida, excerpt from Blue Truth.

Emoções e mandala básica

por Gustavo Gitti | 14/09/2007 13:13 | Comente!

O Trungpa é mesmo foda…

“Usualmente, podemos expressar a nossa raiva ou agressão, batendo em alguém ou destruindo algo ou sendo verbalmente rudes. Tais ações e frustrações surgem de nossa emoção como resultado de uma falha em realizar que há um espaço total no qual tais energias estão operando. Em outras palavras, tanto suprimir como expressar são um substituto emocional ao invés de emoções verdadeiras. São como sedativos. Uma experiência emocional perfeita ou verdadeira significa a realização da totalidade da fundação, realizar que as emoções operam no meio de um espaço inteiro. Neste ponto, começamos a experimentar os sabores das emoções, suas texturas e suas temperaturas. Começamos a perceber o aspecto vivo das emoções ao invés de ou seu aspecto frustrado.

Neste contexto, o que a frustração significa, é a estagnação. Queremos dar nascimento a algo, mas não conseguimos. Assim, nós gritamos, tentamos ajeitar as coisas, ou simplesmente arrebentar algo. Sentimos que apesar de algo estar definitivamente acontecendo, este algo ainda não está completamente ali. Há uma sensação de incompletude, uma sensação de que algo está acontecendo de um modo totalmente errado do ponto de vista emocional. E isto ocorre porque falhamos em enxergar a totalidade, o que é inteiro, que é o princípio da mandala.”

“Isto não se aplica só às nossas emoções, mas a todas as nossas experiências do dia a dia como um todo. Uma vez que vejamos a totalidade, teremos a experiência de ver as coisas como elas são, no seu próprio modo de ser absoluto. A qualidade azul do céu e a qualidade verde dos campos não precisam de confirmação e nem de um senso extraordinário de apreciação. Eles apenas são, então, nós não precisamos reafirmar ou confirmar que elas são. Quando realizamos a totalidade básica da situação como um todo, a nossa percepção se torna extraordinariamente viva e precisa. Isto porque ela não surge colorida pela ‘convencionalidade’ de uma crença no que quer que seja. Em outras palavras, quando não há dogma – quando não há nenhuma crença na qualidade azul do céu e na qualidade verde dos campos – então nós começamos a enxergar a totalidade.”

“Todas estas idéias da mandala básica, a mandala total, que nós estamos discutindo, são completamente do ponto de vista de ninguém. A mandala é o seu próprio ponto de vista. E, por isso, ela é livre de nascimento e morte, assim como, ao mesmo tempo, ela se revela como a expressão mais pura do nascimento e da morte. É ela que sustenta todo o universo, toda a existência, assim como é ela que mata todas as coisas.”

Trechos do capítulo 6 do livro (tradução não oficial da querida Brenda):

ORDERLY CHAOS – THE MANDALA PRINCIPLE
CHÖGYAM TRUNGPA
DHARMA OCEAN SERIES
SHAMBALA PUBLICATIONS INC.
BOSTON 1991
ISBN 0-87773-636-7

Time’s Person of the Year: You

por Gustavo Gitti | 29/08/2007 17:50 | Comente!

“And we didn’t just watch, we also worked. Like crazy. We made Facebook profiles and Second Life avatars and reviewed books at Amazon and recorded podcasts. We blogged about our candidates losing and wrote songs about getting dumped. We camcordered bombing runs and built open-source software.”

O foco da matéria pode ser a web 2.0, mas o importante é a percepção de que o mundo é nossa criação. A wikipedia, por exemplo, não é só um sistema legal, ela é um modo de treinarmos percepção ativa, cognição construtora. O mundo nunca é pré-existente, ele surge junto conosco, em cada olhar, em cada gesto.

Fiquei extremamente feliz com esse texto!

Lógica do oferecer

por Gustavo Gitti | 31/07/2007 16:00 | Comente!

Falei sobre isso neste post aqui: “Oferecer (para homens)“. Hoje li um artigo do Ricardo Neves, consultor e colunista da Época (by the way, estou lançando o primeiro livro dele em versão digital). Pelo jeito, cada vez mais as pessoas estão se tocando que assim tudo funciona melhor. Veja que perfeito isso (artigo na íntegra):

“Prezado Ricardo: passei por vários empregos até meus 39 anos, quando perdi meu último emprego, na função de gerente de marketing de uma multinacional de turismo. A partir daí, durante vários meses, fiz o processo de sempre: dezenas de currículos enviados, o esforço de contatar toda a minha rede de conhecidos etc. Tudo difícil. Muita rejeição. Afinal, sou velho para o mercado.

Há cerca de dois meses tomei uma decisão diferente. Resolvi pensar não como um desempregado, mas como o gerente de marketing que já fui. Percebi que estava me promovendo como uma mercadoria banal, não como o ser humano produtivo e experiente que sou. Meu currículo mostrava apenas o que muito garoto de 27 anos já tem até de sobra, como MBA e experiência internacional. Decidi então mudar a tática. Usei a internet para pesquisar empresas de que gostava ou aquelas que tinham produtos relacionados a minha experiência. Selecionei inicialmente 20 empresas. Ao final, me concentrei em cinco, uma em cada segmento. Em vez de enviar meu currículo, mandei um e-mail com um estudo de mercado que elaborei para cada empresa. Minha análise incluía novas oportunidades de negócio, brechas que eu antevia em relação aos concorrentes, novos produtos que poderiam ser lançados ou reconfigurados. Junto, seguia minha proposta de trabalho.”

O que aconteceu com o leitor? As cinco empresas contatadas responderam com propostas de trabalho em apenas uma semana. Ele então escolheu uma na qual passou a receber um salário mensal fixo. Mas também começou a prestar serviço para mais duas delas, onde ganha por produção. Com a quarta empresa, mantém contato. Só descartou mesmo a quinta companhia. A empresa que lhe paga salário é francesa, trabalha com software. Está interessada na capacidade do leitor em entender o mercado brasileiro. Nada a ver com turismo, última área em que ele havia trabalhado.

Anúncios contextuais do Google Adsense e Adwords

por Gustavo Gitti | 30/07/2007 10:00 | Comente!

Um amigo meu acessou um post no qual eu citei o Dzongsar Rinpoche e tirou o screenshot abaixo para provar a competência do Google em nos fazer rir. Os programadores do Google Adsense/Adwords devem ser filósofos, já que o anúncio dialoga com o texto e cria uma piada impossível de ser ditada de outro modo:

Google Adsense Adwords