Impermanência e a jaqueta da namorada

por Gustavo Gitti | 24/11/2010 13:05 | Comente!

Há dois anos eu não a conhecia. Passei 26 anos sem sequer imaginar alguém com esse nome, esse cabelo, essa voz, essa profissão, essa família, essa pele, esse mundo.

Agora acabei de pegar a jaqueta dela, esquecida no quarto. Naturalmente, sem assombro, como se eu fosse passar o resto da eternidade ao lado dessa menina linda.

A impermanência não é tão fácil de ser percebida. É preciso fazer um esforço constante para lembrar, contemplar, detectar a impermanência agindo em escalas maiores e mais sutis do que o evidente e cotidiano fluir do tempo.

É por isso que, para facilitar, lembramos que em breve estaremos todos mortos. Fica mais fácil condensar a contemplação de todas as pequenas impermanências em duas: a própria morte e o esfriamento do Sol.

Stephen Fry: o que eu queria saber quando tinha 18 anos

por Gustavo Gitti | 06/06/2010 16:16 | Comente!

Estou escrevendo um longo comentário sobre esse vídeo para a Cabana PdH. Aproveito para compartilhar aqui também.

É excelente, especialmente no trecho entre 4 e 9 minutos.

(via @ricardolombardi)

Cobranças

por Gustavo Gitti | 12/06/2008 12:03 | Comente!

Elas vêm das dez direções. É a namorada cobrando limpeza da casa, compra no mercado, atenção, respostas de emails, presença, sexo (!!!). São umas 5 pessoas aqui do trabalho. É o pai cobrando uma visita. É a mãe cobrando ligações e proximidade. São os professores de dança de salão, exigindo cada detalhe. Em todos os projetos e em todos os contatos, tem sempre alguém me cobrando por algo que eu deveria estar fazendo “pra ontem!”.

Em meio a isso, o que eu faço? Venho aqui escrever um post… óbvio!

Não lembro do dia que assumi tais dívidas. Lembro apenas de ter oferecido algumas coisas. De fato, não há uma única pessoa agora que me deve algo. Eu me esforço para lembrar, mas não encontro ninguém. Acho que não possuo alguém para cobrar…

O lance é sempre oferecer (mesmo críticas e ações iradas), e nunca cobrar. Mas também é estúpido cobrar os outros para agirem assim! Seria frustração na certa. “Ofereçam, seus carentes de merda!”, alguns aqui dentro gritam. Mas basta deixar a boca calada e continuar fazendo o melhor que posso, sem esperar que um dia não mais haja cobranças.

Os mundos e seres são insaciáveis. A sede e fome não se esgotam. Continue rolando pedras montanha acima, caro Sísifo. Apenas continue e não tenha medo quando um sorriso invadir-lhe o rosto.

Sobre o detalhe

por Gustavo Gitti | 22/05/2007 17:26 | Comente!

“Nós não percebemos que nunca de fato existiu uma história de amor. Olhe para suas relações passadas e tente lembrá-las com nitidez… O que há é o detalhe, somente ele, no limite do imperceptível, quase não existindo, antes mesmo do real – o detalhe. Ele nunca se mostra totalmente e não conseguimos apontá-lo ou delimitá-lo com certeza. Para os leitores de Borges, uma imagem: coloque dois detalhes lado a lado; se você começar a prestar atenção em um, nunca mais conseguirá olhar para o outro, sequer saberá qual deles você notou primeiro ou que eram originalmente dois.”

Mais aqui neste blog sobre relacionamentos.

Novo post no blog "Não dois, não um"

por Gustavo Gitti | 10/03/2007 19:30 | Comente!

“Nós podemos restringir as emoções, pensamentos e movimentos corporais do outro somente com nossos olhos.”

“É porque mudamos constantemente que ficamos juntos. Ou seja, eu gosto do outro não precisamente pelo que ele é mas por aquilo nele que se transforma nos vários que o habitam. É a liberdade de um que se conecta com a liberdade do outro.”

“Minha teimosia ama a falta de argumentação do outro. Meu orgulho ama o complexo de inferioridade do outro. Esse conjunto de arpões constitui um casamento entre carências e medos. É por isso que aqui o ódio está a um passo do amor, como ensina a sabedoria popular: minha teimosia o ama enquanto ele não a confronta, meu orgulho o ama enquanto ele não o destrói, meu medo o ama enquanto ele me mantém segura e confortável.”

Mais no blog http://nao2nao1.blogspot.com

Rendição

por Gustavo Gitti | 07/03/2007 13:28 | Comente!

“Rendição. Uma mulher autêntica deseja apenas isso, ser totalmente rendida. Ela pode parecer querer comandar ou não saber o que deseja. Ela pode irritar seu homem, provocá-lo ou evitá-lo. Mas ela só quer sua potência, sua liberdade, sua profundidade. Ela quer ser interrompida em sua confusão. Quer ser rendida, de corpo e alma.”

Mais aqui: http://nao2nao1.blogspot.com

Contardo Calligaris "com o mínimo de paranóia"

por Gustavo Gitti | 16/02/2007 17:48 | Comente!

“Eu diria que o essencial é tentar pensar os problemas e as dificuldades do presente com o mínimo possível de paranóia. Ou seja, pensando que a origem dos problemas está, antes de mais nada, e sempre antes de mais nada, dentro da gente e não em algum agente externo, mesmo se a opressão de algum agente externo aparece. Em última instância, o maior obstáculo, inclusive na tentativa de se opor a um eventual agente externo, está sempre dentro de nós.” –Contardo Calligaris [PDF]