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	<title>Drala &#187; relacionamentos</title>
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	<description>Budismo, filosofia, arte</description>
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		<title>Impermanência e a jaqueta da namorada</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 16:05:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dois anos eu não a conhecia. Passei 26 anos sem sequer imaginar alguém com esse nome, esse cabelo, essa voz, essa profissão, essa família, essa pele, esse mundo. Agora acabei de pegar a jaqueta dela, esquecida no quarto. Naturalmente, sem assombro, como se eu fosse passar o resto da eternidade ao lado dessa menina [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dois anos eu não a conhecia. Passei 26 anos sem sequer imaginar alguém com esse nome, esse cabelo, essa voz, essa profissão, essa família, essa pele, esse mundo.</p>
<p>Agora acabei de pegar a jaqueta dela, esquecida no quarto. Naturalmente, sem assombro, como se eu fosse passar o resto da eternidade ao lado dessa menina linda.</p>
<p>A impermanência não é tão fácil de ser percebida. É preciso fazer um esforço constante para lembrar, contemplar, detectar a impermanência agindo em escalas maiores e mais sutis do que o evidente e cotidiano fluir do tempo.</p>
<p>É por isso que, para facilitar, lembramos que em breve estaremos todos mortos. Fica mais fácil condensar a contemplação de todas as pequenas impermanências em duas: a própria morte e o esfriamento do Sol.</p>
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		<title>Stephen Fry: o que eu queria saber quando tinha 18 anos</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 19:16:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[artes]]></category>
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		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou escrevendo um longo comentário sobre esse vídeo para a Cabana PdH. Aproveito para compartilhar aqui também. É excelente, especialmente no trecho entre 4 e 9 minutos. (via @ricardolombardi)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou escrevendo um longo comentário sobre esse vídeo para a Cabana PdH. Aproveito para compartilhar aqui também.</p>
<p>É excelente, especialmente no trecho entre 4 e 9 minutos.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="481" height="281" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11414505&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="481" height="281" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11414505&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>(via @<a rel="nofollow" href="http://twitter.com/ricardolombardi">ricardolombardi</a>)</p>
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		<title>Cobranças</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 15:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[pessoal]]></category>
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		<description><![CDATA[Elas vêm das dez direções. É a namorada cobrando limpeza da casa, compra no mercado, atenção, respostas de emails, presença, sexo (!!!). São umas 5 pessoas aqui do trabalho. É o pai cobrando uma visita. É a mãe cobrando ligações e proximidade. São os professores de dança de salão, exigindo cada detalhe. Em todos os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Elas vêm das dez direções. É a namorada cobrando limpeza da casa, compra no mercado, atenção, respostas de emails, presença, sexo (!!!). São umas 5 pessoas aqui do trabalho. É o pai cobrando uma visita. É a mãe cobrando ligações e proximidade. São os professores de dança de salão, exigindo cada detalhe. Em todos os projetos e em todos os contatos, tem sempre alguém me cobrando por algo que eu deveria estar fazendo &#8220;pra ontem!&#8221;.</p>
<p>Em meio a isso, o que eu faço? Venho aqui escrever um post&#8230; óbvio!</p>
<p>Não lembro do dia que assumi tais dívidas. Lembro apenas de ter oferecido algumas coisas. De fato, não há uma única pessoa agora que me deve algo. Eu me esforço para lembrar, mas não encontro ninguém. Acho que não possuo alguém para cobrar&#8230;</p>
<p>O lance é sempre oferecer (mesmo críticas e ações iradas), e nunca cobrar. Mas também é estúpido cobrar os outros para agirem assim! Seria frustração na certa. &#8220;Ofereçam, seus carentes de merda!&#8221;, alguns aqui dentro gritam. Mas basta deixar a boca calada e continuar fazendo o melhor que posso, sem esperar que um dia não mais haja cobranças.</p>
<p>Os mundos e seres são insaciáveis. A sede e fome não se esgotam. Continue rolando pedras montanha acima, caro Sísifo. Apenas continue e não tenha medo quando um sorriso invadir-lhe o rosto.</p>
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		<title>Sobre o detalhe</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2007 20:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[citações]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Nós não percebemos que nunca de fato existiu uma história de amor. Olhe para suas relações passadas e tente lembrá-las com nitidez&#8230; O que há é o detalhe, somente ele, no limite do imperceptível, quase não existindo, antes mesmo do real – o detalhe. Ele nunca se mostra totalmente e não conseguimos apontá-lo ou delimitá-lo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><span style="font-size:85%;">&#8220;Nós não percebemos que nunca de fato existiu uma história de amor. Olhe para suas relações passadas e tente lembrá-las com nitidez&#8230; O que há é o detalhe, somente ele, no limite do imperceptível, quase não existindo, antes mesmo do real – o detalhe. Ele nunca se mostra totalmente e não conseguimos apontá-lo ou delimitá-lo com certeza. Para os leitores de Borges, uma imagem: coloque dois detalhes lado a lado; se você começar a prestar atenção em um, nunca mais conseguirá olhar para o outro, sequer saberá qual deles você notou primeiro ou que eram originalmente dois.&#8221;</span></p></blockquote>
<p>Mais aqui neste <a style="font-weight: bold;" href="http://nao2nao1.blogspot.com/2006/08/microrelacionamento-o-detalhe.html">blog sobre relacionamentos</a>.</p>
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		<title>Novo post no blog &quot;Não dois, não um&quot;</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Mar 2007 22:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Nós podemos restringir as emoções, pensamentos e movimentos corporais do outro somente com nossos olhos.&#8221; &#8220;É porque mudamos constantemente que ficamos juntos. Ou seja, eu gosto do outro não precisamente pelo que ele é mas por aquilo nele que se transforma nos vários que o habitam. É a liberdade de um que se conecta com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Nós podemos restringir as emoções, pensamentos e movimentos corporais do outro somente com nossos olhos.&#8221;</p>
<p>&#8220;É porque mudamos constantemente que ficamos juntos. Ou seja, eu gosto do outro não precisamente pelo que ele é mas por aquilo nele que se transforma nos vários que o habitam. É a liberdade de um que se conecta com a liberdade do outro.&#8221;</p>
<p>&#8220;Minha teimosia ama a falta de argumentação do outro. Meu orgulho ama o complexo de inferioridade do outro. Esse conjunto de arpões constitui um casamento entre carências e medos. É por isso que aqui o ódio está a um passo do amor, como ensina a sabedoria popular: minha teimosia o ama enquanto ele não a confronta, meu orgulho o ama enquanto ele não o destrói, meu medo o ama enquanto ele me mantém segura e confortável.&#8221;</p>
<p>Mais no blog <a href="http://nao2nao1.blogspot.com/2007/02/vacuidade-e-impermanncia-nas-relaes.html">http://nao2nao1.blogspot.com</a></p>
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		<title>Rendição</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2007 16:28:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Rendição. Uma mulher autêntica deseja apenas isso, ser totalmente rendida. Ela pode parecer querer comandar ou não saber o que deseja. Ela pode irritar seu homem, provocá-lo ou evitá-lo. Mas ela só quer sua potência, sua liberdade, sua profundidade. Ela quer ser interrompida em sua confusão. Quer ser rendida, de corpo e alma.&#8221; Mais aqui: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Rendição. Uma mulher autêntica deseja apenas isso, ser totalmente rendida. Ela pode parecer querer comandar ou não saber o que deseja. Ela pode irritar seu homem, provocá-lo ou evitá-lo. Mas ela só quer sua potência, sua liberdade, sua profundidade. Ela quer ser interrompida em sua confusão. Quer ser rendida, de corpo e alma.&#8221;</p>
<p>Mais aqui: <a href="http://nao2nao1.blogspot.com">http://nao2nao1.blogspot.com</a></p>
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		<title>Contardo Calligaris &quot;com o mínimo de paranóia&quot;</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Feb 2007 20:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[budismo]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Eu diria que o essencial é tentar pensar os problemas e as dificuldades do presente com o mínimo possível de paranóia. Ou seja, pensando que a origem dos problemas está, antes de mais nada, e sempre antes de mais nada, dentro da gente e não em algum agente externo, mesmo se a opressão de algum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><span style="font-size:85%;">&#8220;Eu diria que o essencial é tentar pensar os problemas e as dificuldades do presente com o mínimo possível de paranóia. Ou seja, pensando que a origem dos problemas está, antes de mais nada, e sempre antes de mais nada, dentro da gente e não em algum agente externo, mesmo se a opressão de algum agente externo aparece. Em última instância, o maior obstáculo, inclusive na tentativa de se opor a um eventual agente externo, está sempre dentro de nós.&#8221; –<a href="http://www.institutodnabrasil.com.br/site/publique/media/livro.pdf">Contardo Calligaris [PDF]</a></span></p></blockquote>
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		<title>One day&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Feb 2007 12:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;The burdens of life and woman never seem to end. Yet, there is no need to look forward to one day (when they will end) because, even now, your life&#8217;s tasks and your woman&#8217;s moods do not actually limit your freedom in any way. In this moment, you are as free, deep, and relaxed as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;The burdens of life and woman never seem to end. Yet, there is no need to look forward to <span style="font-style: italic;">one day</span> (when they will end) because, even now, your life&#8217;s tasks and your woman&#8217;s moods do not actually limit your freedom in any way. In this moment, you are as free, deep, and relaxed as you can allow yourself to be.&#8221;</p>
<p>&#8220;Os fardos da vida e das mulheres nunca parecem acabar. Ainda assim, não há necessidade de ansiarmos por &#8220;aquele dia&#8221; (quando eles acabarão) pois, até mesmo agora, as tarefas de sua vida e os humores de sua mulher não limitam sua liberdade de modo algum. Neste momento, você é tão livre, profundo e relaxado quanto você se permite ser.&#8221; <span style="font-style: italic; color: rgb(153, 153, 153);">[tradução livre]</span></p>
<p><span style="font-weight: bold;">David Deida</span> </p></blockquote>
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		<title>Bolero e Click</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Sep 2006 12:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;He&#8217;s always chasing the pot of gold, but when he gets there, at the end of the day, it&#8217;s just corn flakes.&#8221; (fala do personagem Morty, no filme Click) Há uns tempos eu desisti de tentar viver uma vida completa e socialmente adequada: pós-gradução, trabalho rentável, casa na praia e 2 filhos. Não que eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><span style="font-size:85%;">&#8220;He&#8217;s always chasing the pot of gold, but when he gets there, at the end of the day, it&#8217;s just corn flakes.&#8221; (fala do personagem Morty, no filme <a style="font-style: italic;" href="http://www.imdb.com/title/tt0389860/">Click</a>)</span></p></blockquote>
<p>Há uns tempos eu desisti de tentar viver uma vida completa e socialmente adequada: pós-gradução, trabalho rentável, casa na praia e 2 filhos. Não que eu não queira tudo isso (quero muito, especialmente os filhos), mas eu desisti de gastar minha vida tentando viver essa vida. &#8220;At the end of the day, it&#8217;s just corn flakes&#8221;. E então eu comecei a viver, simplesmente.</p>
<p>David Deida diz que de todos os momentos, tudo o que resta ao fim, tudo o que lembramos de fato, é a <span style="font-style: italic;">abertura</span> que fomos &#8212; ou seja, o quanto estávamos abertos, livres, inundados de amor. Tudo o mais passa: sentimentos, sensações, pessoas, pensamentos, eventos. O que importa na vida é a abertura.</p>
<p>Foram anos até que eu começasse a viver. No início do ano comecei a focar mais em práticas de abertura. Em vez de só fazer faculdade e trabalhar para algum dia ser feliz, foquei em práticas que fossem elas mesmas expressões de felicidade (como um jogo gostoso, que nunca têm sentido fora de si mesmo). Por isso, hoje sou um sortudo. Não mereço, mas sou aquele cara que teve uma segunda chance (várias), como no <span style="font-style: italic;">Click</span>, e pode agora morrer a qualquer momento com um sorriso no rosto.</p>
<p>Nesse final de semana tive um dos momentos mais belos de minha vida. Foi só uma música lenta, um bolero olho no olho com a mulher da minha vida. Poderia morrer logo depois e tudo teria valido a pena, tudo faria sentido. Em um momento de amor e abertura, os medos colapsam, as esperanças derretem. Ficamos só nós e o horizonte de nós mesmos.</p>
<p>Escrevo aqui com o desejo de que todos possam viver mais do que isso, várias vezes em uma só vida. Escrevo aqui sabendo que um dia morrerei, mas confio nesse amor que nunca nasceu e que segue intocado pela morte de todos os seres. Na verdade, somos isso: abertura e amor.</p>
<p>Hoje eu amo, e nesse amor lentamente me libero de mim mesmo. Um dia conseguirei não ser mais eu.</p>
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		<title>Aniversário</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Jul 2006 11:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[escritos]]></category>
		<category><![CDATA[existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Cabeça esfregada no lençol. Você acorda e lembra que os outros disseram que é seu aniversário. Você quer acreditar mas não se recorda de ter nascido nesse dia ou em qualquer outro. E assim passa o dia: como qualquer outro. Você levanta, toma banho, vai trabalhar, se cansa. Volta para casa e enfia a cabeça, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cabeça esfregada no lençol. Você acorda e lembra que os outros disseram que é seu aniversário. Você quer acreditar mas não se recorda de ter nascido nesse dia ou em qualquer outro. E assim passa o dia: como qualquer outro. Você levanta, toma banho, vai trabalhar, se cansa. Volta para casa e enfia a cabeça, esfregando no lençol. Você quer só 5 minutos para você. Olhos fechados, ouvindo a própria respiração pela primeira vez no dia, se espreguiçando sem se mover. Segundos assim e sua namorada vem reclamar, dizer que está atrasado para o jantar, que 5 minutos é muito, que você tem de tomar banho, que assim não dá.</p>
<p>5 minutos é muito mesmo. Sua vida não é sua. Sua vida não é para você. Não é por acaso que não lembra de ter nascido. Você não quis nascer, quiseram por você. Você vive para os outros e é assim que tem de ser. O jantar, aliás, não envolve sua comida preferida e nem será naquele restaurante que você estava querendo tanto conhecer. O jantar é para sua família. Seu trabalho é para a empresa. Suas ações, para os outros.</p>
<p>Antes de levantar, você pede um carinho e começa a contar a única coisa do dia que não foi completamente esquecida. E quem quer saber do seu dia? Você está aqui para ouvir. Coloque-se em seu lugar. Triste seria se você conseguisse o que deseja, se vivesse para si mesmo, se você mesmo lembrasse de seu aniversário, se houvesse comemoração.</p>
<p>O único presente do dia é um bolo, feito à mão, total carinho. Não se preocupe, porém: você não vai comê-lo sozinho, o bolo seu é de todos. Começa uma depressão quando você percebe que ainda é uma pessoa que precisa de presentes. Só que os anos 70 do Aerosmith estão entrando ouvido adentro e quem mesmo precisa de presentes?</p>
<p>Cantam parabéns e você come o bolo. Você não sente o gosto e não vai conseguir se lembrar dele depois. Isso porque ele foi feito para você e não é assim que funciona. Na sua memória estão as coisas que fez pelos outros. No coração, vivem ainda somente as felicidades que presenciou nas faces diante de você. Aquela sua alegria, que não se refletiu em nenhum outro ser, é facilmente esquecida.</p>
<p>Volta do jantar e encontra o lençol marcado por sua cabeça. Você deita e esquece de você mesmo. Para além da depressão, não ter vida própria é liberação. Um dia você sequer deixará marcas no lençol ou rastros pelo chão. Sem precisar de aniversários, encontrará a alegria insuperável de preocupar-se só em fazer bolos para os outros – e só haverá outros. O sorriso derradeiro virá quando ninguém mais se lembrar de você. Você torce para que isso não demore. Como diz Borges, a meta é o esquecimento.</p>
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