por Gustavo Gitti | 07/08/2004 22:00 |
[ouvindo "Clarendon Hills", da Mahavishnu Orchestra]
- Vi que cada pessoa vive num mundo diferente, mundos gigantescos, distantes um do outro. Vi que uma discussão só é benéfica quando for um gesto de abertura em direção ao mundo do outro, e abertura de seu mundo para o outro.
- Vi que cada mundo é belo em si mesmo e que a limitação é a fonte tanto da diversidade (pois cada visão, por ser limitada, se abre para outras); quanto do reducionismo (em vez de enfrentar a limitação, todo o Kosmos é encaixotado em uma só “gaveta” do saber).
- Vi que cada mundo, cada ser que observa este mundo, e cada visão que este ser tem deste mundo surgem de um processo delusivo, de escolha de percepção (para ser algo, o Kosmos deixa de ser tudo). Vi que a ignorância é simplesmente manter-se identificado com uma visão em específico, quando somos na verdade aquele que vê.
- Vi que a discordância só surge quando não legitimamos a visão e o mundo do outro. E que a única discordância saudável é a desapegada, que surge apenas como um modo de tocar e aumentar o corpo e o mundo do outro.
- Vi que nosso conhecimento, quanto mais se torna rizomático, fractal e sofisticado, mais se transforma em algo sutil, onírico e inexistente. Vi que todo conhecimento evolui para uma certa postura, uma certa configuração do corpo, e vira saber incorporado. Vi que saber é saber encarnado e que isso é a própria qualidade expansiva da consciência em suas entranhas e nervuras.
- Vi que sofremos quando esquecemos de nosso solo ilimitado. Vi que uma discussão sobre “Realismo”, por exemplo, só é saudável se levada de forma relaxada, quando eu me lembro de minha morte, quando eu me lembro da qualidade onírica do real, quando eu me lembro de que há infinitos mundos em que isso não faz o maior sentido, quando eu me lembro que a palavra Realismo é só um som, e que se investigar um pouco mais verei que ela não corresponde a absolutamente nada que não seja uma alucinação minha. “R-E-A-L-I-S-M-O… R… E… A.. L… I… S… MMMMMMMM…. MMs… MMMMMMM…. OOOOOOOOO…. 00000… arrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr brrrrrrrrrrrrrrrrrrr zzzzzzzzzz”. Sim, somente sons e fim de discussão.
- Vi que qualquer discussão é puro devaneio inútil se não estamos presentes, se não estamos lúcidos, se ficamos nos justificando, se ficamos nos defendendo, se ficamos lutando para esquecer de nossa qualidade insubstancial.
- Vi que devemos calar a boca imediatamente se durante uma discussão esquecermos que o outro tem 2 pés como nós.
- Vi que todos aqui são medíocres, como eu, e ficam fascinados com todos estes temas sem saber direito o que fazer com isso tudo. E percebi que é maravilhoso que isso seja assim.
- Vi que listas como essa trazem sim benefício aos seres, mesmo que não saibamos medir isso.
- Vi que eu desaprendi muita coisa.
- Vi que todos sabem alguma coisa e podem sim ensinar muito, desde que tenham coragem de fingir saber de algo, como eu faço aqui.
- Vi que todo conhecimento é fingimento, que todo especialista é um ator supremo e que nada resta senão a sabedoria, que não é conhecimento algum, mas uma certa maneira de andar com os dois pés, como dizia o mestre Caeiro.
Abraços a todos!
E que este experimento possa acabar algum dia destes.
[ouvindo "Sanctuary", Mahavishnu Orchestra]
por Gustavo Gitti | 19/07/2004 12:34 |
[Dedico estas palavras a minha namorada. Qualquer sabedoria que possa ser encontrada, é mérito dela. Qualquer defeito ou equívoco, é responsabilidade minha.]
Pare. Não deixe as situações, os olhares, os barulhos, não deixe nada divagar sua mente. Mantenha os olhos focados. Respire. Pare. Não entre em nenhum jogo, nem mesmo no seu. Olhe através. Não tenha medo. Aja com segurança. Pise firme, mas leve. Não “ache” nada. Não opine. Não reclame. Não se desculpe. Não pense. Não acredite em besteiras. Veja através. Veja através. Você está vivo. Você não tem nada a perder. Nada a perder. O único modo de alguém lhe aprisionar é fazê-lo acreditar que você tem algo a perder, e assim mantê-lo sob controle, com medo. Lembre-se de sua morte. Você não tem absolutamente nada a perder. Reconheça sua liberdade. Descanse. Flua. Aceite. Aceite. Não hesite. Fique. Abrace sua realidade. Faça amor com suas neuroses. Sinta-se em casa com os problemas das pessoas. Eles não te pertencem, e muito menos a elas. Faça-as reconhecerem isso. Trate toda a merda do mundo como impessoal: confusão genérica. Não tente ajudar. Apenas mantenha a sua própria postura. Ande, olhe, faça o mundo brilhar. Jogue muita luz na cara de todo mundo. Fale baixo, atraia o mundo. Rodopie, dance. Aja a partir do centro de seu peito. Esqueça sua cabeça. Olhe para baixo e reconstitua-se partindo daí. Não tenha medo. Encare a Matrix e pinte-a inteira com suas cores. Não acredite em nada que lhe venha do exterior. Ele não existe. Sinta, veja, toque, fale, interaja apenas com o que emana do seu interior. Dissolva as ilusões. Purifique, queime, destrua. Não tenha medo. Fique. Permaneça no meio do fogo. Pare. Respire. Olhe fundo no dentro de cada ser. Sorria e continue este ciclo. Pare…
por Gustavo Gitti | 12/07/2004 14:09 |
Ontem estava olhando as opções de edição de posts de um blog. Dá para editar ou remover todos os posts passados… Há um bom tempo sou fascinado pela questão do passado, de como a memória é possível. O que é realmente o passado? O que é um momento passado? Onde ele existe? Qual sua natureza?
Talvez seja possível trabalhar com nosso passado assim como editamos um blog, não no sentido de removê-lo, mas no sentido de redescobrir, ressignificar cada “fato”, cada instante aparentemente concreto, sólido e definido.
Minha fascinação pelo passado começou quando tive algumas experiências que me fizeram revisitar cada momento até então definitivo, abri-lo (assim como se entra em um post passado para editá-lo) e reconfigurá-lo. Para se ter uma idéia da realidade disto, certa vez virei um lobo numa alucinação, e vi todo o meu passado como sendo o passado de um lobo (minha família era toda de lobos, etc). Isto, é claro, é um caso extremo que acontece de forma menos acentuada durante qualquer mudança de consciência, de perspectiva, de postura – estou aprendendo com o Ivaldo Bertazzo e com a Denise Stoklos que todo pensamento implica em uma postura corporal, que todo pensamento da mente é um gesto do corpo.
Depois dessas primeiras experiências, este processo nunca mais parou. Meu passado nunca é estável, sempre se reconfigura inteiro de acordo com a visão que domina o momento atual.
Ontem tomando banho surgiram algumas idéias, este seres que invadem nossa mente e nos contam coisas, sabe? E elas me disseram que é possível liberar momentos passados (assim com a técnica de recapitulação dos xamãs toltecas). É possivel liberar a energia presa neles de forma a integrá-los todos e deixá-los livres de significação e plásticos para se tornarem qualquer coisa, qualquer mito (toda história pessoal é uma estória, um mito, tem tanta realidade quanto uma fantasia). Quanto mais isso acontece, mais você, no presente, torna-se capaz de agir de acordo com sua infinitude finita (cada uma das infinitas possibilidades são também infinitas).
Mas acho que isso só começa a ser possível quando admitimos a qualidade de vacuidade dos momentos passados, quando vemos sua mágica onírica. Vacuidade não significa inexistência, mas ausência de fundamento, de auto-definição, de existência inerente.
Quando isso acontece, somos inundados por uma sensação de aceitação. Aceitamos nosso passado vendo-o sub species aeternitatis, como sendo tudo necessário (“só poderia ter sido assim!”). Esta aceitação implica em uma desidentificação radical. Todos os “eus” passados tornam-se realmente oníricos, livres de qualquer definição, e assim você, seu “eu” presente, cai no mesmo abismo: perde sua auto-definição, sua auto-imagem limitada que comprime sua potência infinita.
Nessa brincadeira abrem-se inesperados modos de ser, e aí é o próprio Kosmos que desperta dentro daquele modo particular, daquele ser, e diz: “sim, eu posso ser qualquer coisa e estou sendo isto neste momento”. Portanto, a aceitação do passado vira a aceitação do presente e a liberação de qualquer medo, esperança ou expectativa em relação ao futuro. A energia é desimpedida, liberada logo em sua base primordial, e tudo entra nos eixos. No fundo, nada se modificou. O quarto é o mesmo, mas a lâmpada acendeu. Agora a vida é lila, dança extática do universo consigo mesmo. O passado não está mais lá atrás, nem o futuro lá na frente. O tempo expande-se e torna-se eternidade. Tudo é visto sub species aeternitatis.
Vislumbres, apenas vislumbres efêmeros… No outros 99% do tempo, o passado é um mistério. Já dizia o sábio poeta Leminski: “Tudo o que a gente tem a fazer é realmente homenagear o mistério”.
Dizem que eu nasci em 1982. Eu não sei. Sinto como se sempre tivesse estado aqui. E o que é 1982 pra falar a verdade? Às vezes me questiono se meu passado é realmente meu ou se eu acabei de chegar aqui e estou tenho alucinações.
Borges sabia que “o planeta foi criado há poucos minutos, provido de uma humanidade que “recorda” um passado ilusório”.
Sim, honrar o Mistério. Homenagear o mistério. Prostrar-se a ele.
Como posso homenagear o mistério em minha namorada? Como posso agir de forma a honrar o mistério que me faz abrir os olhos todas as manhãs? Como homenageio o mistério que reside em cada ser?
Homenagear o mistério. Eis minha política. Eis minha ética. Eis minha ciência. Eis minha religião.
por Gustavo Gitti | 03/06/2004 11:56 |
A abordagem integral, na prática, me possibilita duas coisas no diálogo com as pessoas:
1. Dissociar o ser de sua visão, ou o ser de seu “nível” (meme) dominante — a discordância, de seres, passa a ser de níveis. A ajuda só é possível, como nos ensina o Budismo, se reconhecemos incessantemente a natureza livre dos seres. Ou mesmo no cristianismo, a confusão, a ignorância, o mal, é visto como ausência de Luz, ou como a face de Deus que se esqueceu de si mesmo. Se olharmos para os seres assim, fica fácil criticar a visão e possibilitar a morte naquele nível e um renascimento em um nível superior, mais abrangente e compassivo. A visão integral nos dá este tipo de confiança na natureza das coisas.
2. Criar uma maior liberdade ao transitar por várias visões, de modo a se comunicar mais diretamente com o mundo semântico de cada pessoa. Quando você começa a pensar integralmente, você vai entendendo os limites de cada visão e consegue ser mais
compassivo diante de visões menos abrangentes. Ao perceber que cada visão inferior evoluiu para uma superior, você pára de tentar acabar com as visões que você transcendeu e incluiu (“deixou para trás”) e naturalmente ajuda os seres envolvidos a levá-las até o fim. É estupidez matar um bebê simplesmente por ele não saber falar: dê-lhe comida e espere ;-)
Exemplo: ao abandonar a noção de Deus Criador, e abarcar tal visão, você consegue contribuir para a saúde de quem está apegado a esta noção. Você pode, por um momento, pensar deste jeito e atingir mais diretamente os seres. Você, tendo incluído uma visão, pode relativizá-la e mostrar suas limitações. Isto é tremendamente liberador e benéfico, especialmente no mundo em que vivemos, com tantas visões conflitantes.
A abordagem pode parecer nova, mas isso já vem sendo feito há tempos. Este lance de negar, transcender, incluir, e depois ficar livre para transitar é exatamente o que todos os sábios sempre fizeram. O próprio Ken Wilber reconhece isso.
A compaixão suprema somente surgirá quando você transcender todas as visões e ficar livre para entrar e brincar com cada uma delas.
por Gustavo Gitti | 01/06/2004 10:42 |
Definitivamente. Podemos procurar por todo o mundo, e não acharemos nenhum fato definido, nenhum momento sólido, nenhuma significação concreta. O que existe são seres (sempre sujeitos) que co-criam realidades. Se você está num colóquio sobre educação, mas você não participa da co-criação de tal realidade, você não está num colóquio sobre educação! Hoje eu fui fazer uma entrevista, mas eu não fui fazer uma entrevista. Níveis de realidade… Num mundo há entrevistas, trabalhos, dinheiros, interesses, poder; em outros mundos, não: há sonhos, percursos, mitos, epopéias, viagens, desejos, amores, abismos, alegria. Quanto mais podemos transitar entre os mundos, mais vivos e mais plásticos nos tornamos. Quanto mais posso abarcar, mais eu sou. Aumento minha essência aumentando minha existência. Quanto mais eu transcendo, mais eu mergulho. Quanto mais eu subo, mais eu posso descer.
Essa percepção implica em maior liberdade. Nunca podemos nos encurralar em um nível de realidade sendo que estamos em vários outros. Ficamos presos quando dizemos: “hoje eu fui numa entrevista e foi horrível”. Por outro lado, não devemos negar essa realidade relativa por meio de uma fantasia psicótica auto-confortante. Sim, fui mal na entrevista, mas esse é apenas um dos possíveis seres que eu posso manifestar, apenas um nível de realidade – não “o mundo”, mas “um mundo”; não “eu”, mas “um eu”.
Fatos existem apenas na alucinação daquele que não vê que a parede é feita de nuvem, que o real nada é senão um complexo e tortuoso sonho. A verdade mais fatual (dura como rocha) se aproxima mais do domínio sutil, inefável. Quanto mais real, mais onírico. A certeza absoluta não pode nunca ser enunciada. Nem mesmo esta. Nem esta. Enfim… Calemo-nos.
por Gustavo Gitti | 29/05/2004 17:14 |
O que fazer com esse presente que temos em mãos? Quando penso em todos os momentos que já aconteceram, as pessoas que já viveram, todos os atos, as palavras ditas, beijos, cenas, mortes, vidas…; quando penso em todas as possibilidades que já foram atualizadas, fico com a pergunta: e agora, o que fazer?
Por um lado, tudo já está sendo feito, com essa pergunta ou sem essa pergunta. Por outro, a pergunta faz parte do movimento e sua resposta é, também, parte do que eu estou fazendo no mundo. Fico tranqüilo com isso até perceber o quanto o universo já está cheio, carregado, sujo com tantas coisas juntas, e sem a menor ordenação aparente. Então, com a evolução da autoconsciência, veja só o trabalhão que essa ordenação está dando: o Kosmos travestido em biólogos, historiadores, filósofos, poetas, lixeiros, matemáticos, físicos, estudantes – todos tentando ordenar o caos, limpar a bagunça e dar sentido a todos os momentos passados, simplesmente tudo o que já foi vivido.
(Um ser que passou bilhões de anos sonambulando começa a acordar: “O que eu fiz nesse tempo todo?”. Ah, a ironia cósmica…).
Fico espantado com todos os seres que deixaram rastros pelo mundo: cantoras de jazz, bateristas, poetas (se quiser detalhar: os milhões de poetas leigos, os milhares de poetas brasileiros atuais, os clássicos, os que quase chegaram a publicar um livro, etc.), os engenheiros, os homens, as mulheres, amantes, crianças, bebês, velhos, mestres espirituais… Isso sem falar nos outros seres: macacos, cachorros, átomos, deuses. E agora, do nada, eu. Eu! Fazer o quê?
(“Por que eu sou eu e não outro?”, já perguntavam os sábios).
Bem, a parte mais fácil é mapear e dar um sentido a tudo isso. Montar um modelo, assim como faz um cientista, e explicar (não encaixar) grande parte da bagunça por ele. Isso já transforma o lixo em manifestação exuberante, a confusão em jogo da sabedoria, e a ignorância em esconde-esconde da inteligência. Depois olhamos o mundo e nos jogamos a ele. Aí começa o pesadelo, surgem palavras como as minhas, e alguns seres lendo-as todas. Na concretização da limpeza, quando botamos a mão na massa, a coisa complica, e ei-nos aqui.
Indo até o fim nesse pensamento… Não sou só eu. Somos muitos. E se eu estou aqui falando sobre isso, alguma coisa já está acontecendo. Em algum lugar, em algum ponto no mundo, há também um homem de visão, ou uma mulher de conhecimento, que está conectado comigo, inspirando-me a escrever isso.
Em algum lugar do mundo, um amante compreende a aventura assombrosa de encontrar alguém, no meio de bilhões de seres, que brilhe e que nos faça brilhar – a loucura que é aceitar esse encontro e se deixar levar. Tal amante me compreende. Sabe que tudo isso faz, sim, sentido e que nada mais sagrado do que compartilhá-lo (o sentido, e o tudo-isso) com alguém.
Em algum lugar do mundo, um amante sorri. Sorri comigo. Sorri para o mundo, que, como um espelho caleidoscópico, sorri de volta.
por Gustavo Gitti | 29/05/2004 2:02 |
Agradeço a minha namorada pelos vislumbres descritos abaixo…
Insatisfação, eis o reino humano. Perpétuo desejo, eis a condição humana. Estava tomando banho quando me veio o impulso de escrever essas palavras, um desejo que criou esse momento atual. E não é assim no nosso nascimento? Quando morremos, sobra um desejo, uma vontade de viver algo mais, uma potência de vida, um “ainda não realizei tudo” – isto é, “ainda não tornei real (atualizei) todas as possibilidades”, uma fala que não é exclusivamente nossa, mas do próprio universo. Então, é o desejo (que surge graças à insatisfação) que cria mundos, momentos e seres. No homem, chamamos assim, de “desejo”. Olhando os diversos condicionamentos e prisões que esse movimento cria, chamamos de “karma”. Mas, se formos até o fim em nossa visão, chegaremos em uma conclusão evidente: só pode ser assim, é esse mesmo o movimento de atualização das infinitas possibilidades, o tecido do Kosmos. Vida que surge, sempre frustrada, somente para surgir de novo, e de novo, e de novo… E assim passamos de um momento ao outro, nascendo e morrendo junto com cada um deles. Somos alguns dos raios nas infinitas possibilidades. E como cada possibilidade nunca se esgota em si mesma, o universo nunca chega a se definir. Devir incesssante. Nada é, tudo vem a ser. Não só “infinitas possibilidades”, mas “infinitas possibilidades infinitas”. Infinitas possibilidades infinitas. Assim me ensinou Marilena Chauí, ao falar de Espinosa.
O homem é maravilhoso por isso. Sempre insatisfeito, é o único ser que consegue ir além de sua própria natureza, justamente por realizá-la totalmente. Pela primeira vez, o Kosmos está ficando cada vez mais consciente de sua própria estrutura, cada vez mais autoconsciente. Os raios convergem no homem, e dele renascem com a luz da autoconsciência. A Natureza fica maravilhada com sua própria beleza. Os átomos vêem a si mesmos. O universo conhece, pela primeira vez, a sua própria história. Nós somos o Kosmos olhando para o seu próprio umbigo, a Vida encarando sua própria face, Shiva escrevendo essas palavras para si mesmo.