O Senado está a um passo de aprovar um projeto de lei, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus) que incluiria as igrejas entre as beneficiárias do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Vote contra aqui: Lei Rouanet para “Templos Religiosos” Petition.
Lei Rouanet para "Templos Religiosos"
por Gustavo Gitti | 29/05/2007 8:46 | Comente!
Sobre o detalhe
por Gustavo Gitti | 22/05/2007 17:26 | Comente!
“Nós não percebemos que nunca de fato existiu uma história de amor. Olhe para suas relações passadas e tente lembrá-las com nitidez… O que há é o detalhe, somente ele, no limite do imperceptível, quase não existindo, antes mesmo do real – o detalhe. Ele nunca se mostra totalmente e não conseguimos apontá-lo ou delimitá-lo com certeza. Para os leitores de Borges, uma imagem: coloque dois detalhes lado a lado; se você começar a prestar atenção em um, nunca mais conseguirá olhar para o outro, sequer saberá qual deles você notou primeiro ou que eram originalmente dois.”
Mais aqui neste blog sobre relacionamentos.
Meditação vipassana em prisão indiana
por Gustavo Gitti | 14/05/2007 18:55 | Comente!

Li essa matéria na Folha e lembrei do retiro que fiz de Vipassana em 2002.
Tem um documentário muito interessante sobre isso chamado Doing Time, Doing Vipassana (disponível no eMule).
Esse tipo de Vipassana é ensinado exatamente da mesma forma em todos os centros de retiro do mundo, de acordo com os ensinamentos de S. N. Goenka. Aqui no Brasil o site oficial é esse: www.portuguese.dhamma.org.
Quando eu fiz, um monge beneditino dormia ao meu lado. Era cristão, mas adorava meditar. Era o quinto retiro dele! De fato, a técnica é ensinada de modo não-sectário e o próprio Goenka fala sobre isso:
“This can be practiced by one and all. Everyone faces the problem of suffering. it is a universal disease which requires a universal remedy–not a sectarian one. When one suffers from anger, it is not a Buddhist anger, Hindu anger, or Christian anger. Anger is anger. When one become agitated as a result of this anger, this agitation is not Christian, or Hindu, or Buddhist. The malady is universal. The remedy must also be universal.”
Hai-kais não tradicionais
por Gustavo Gitti | 27/03/2007 10:08 | Comente!
Escrevi isso há um bom tempo… ;-)
Nas montanhas prenhes
o universo agradece:
Plantação de nuvem.A fêmea apanha
O macho bate:
Suco de uva!“A maçã de Newton
Éden
subiu ao chão”
Albert Einstein.Vê, pega e põe na boca
A maçã se come
e vira homem.Palavra verdadeira
aquela que fura o papel.
E atrás, o realA aranha gentil
agratece a presa:
mosaico labiríntico.Os olhos se tocam
As mãos se olham
Mágica do nariz.
Texto de um amigão meu…
por Gustavo Gitti | 15/03/2007 16:33 | Comente!
Todos os interessados, olhem bem e ouçam com atenção, se puderem, porque desconfio que já não terei vontade de repetir outras vezes: “Eu não sei!”. De fato. Não sei agora e não sei se soube qualquer coisa em algum outro momento. Além disso eu sinto, finalmente, que não saber pode ser uma boa coisa. A partir de agora, vejam, sou um Caeiro deitado ao comprido na erva, olhos fechados, apaixonado, silente e flamejante, sabedor feliz da verdade! Sou, agora mesmo (seja lá quando for isso!) um Piñera transformado em ilha, rosas nos olhos e areia no peito em perfeita e intocada paz, sussurrando baixinho, quase em silêncio, quase sorrindo, evanescente, logo antes de ser desfeito: “Era assim a verdade?!”.–Fábio Rodrigues
Novo post no blog "Não dois, não um"
por Gustavo Gitti | 10/03/2007 19:30 | Comente!
“Nós podemos restringir as emoções, pensamentos e movimentos corporais do outro somente com nossos olhos.”
“É porque mudamos constantemente que ficamos juntos. Ou seja, eu gosto do outro não precisamente pelo que ele é mas por aquilo nele que se transforma nos vários que o habitam. É a liberdade de um que se conecta com a liberdade do outro.”
“Minha teimosia ama a falta de argumentação do outro. Meu orgulho ama o complexo de inferioridade do outro. Esse conjunto de arpões constitui um casamento entre carências e medos. É por isso que aqui o ódio está a um passo do amor, como ensina a sabedoria popular: minha teimosia o ama enquanto ele não a confronta, meu orgulho o ama enquanto ele não o destrói, meu medo o ama enquanto ele me mantém segura e confortável.”
Mais no blog http://nao2nao1.blogspot.com
Bulhufas
por Gustavo Gitti | 23/02/2007 17:41 | Comente!
O fato é que não sabemos nada. E mesmo a posição humilde do “só sei que nada sei” também não se sustenta. Ambas são puro orgulho ou carência – e qualquer desses venenos só surgem porque desejamos camuflar nossa cegueira básica. Como ensina David Loy, temos medo de perceber a ausência de um “eu” central e por isso nos esforçamos para ser e existir. O mesmo com nosso conhecimento e nossas certezas internas. Temos medo de reconhecer nossa ignorância suprema e então caímos em visões particulares (a “só sei que nada sei” é uma delas, aliás).
Nós nos equilibramos em certezas e incertezas. Oscilamos entre saber e não saber. Mas mesmo com certezas e saberes, o fato é que não sabemos nada. Não sabemos sequer o que sabemos: escovar os dentes, conversar, escrever, trabalhar, olhar, andar. Sabemos muito, sim, e justamente por sabermos cada coisa é que não sabemos nada. Analise cada crença interna e verá que são todas grandes e complicados equívocos. Somos bêbados batendo cabeças. Não chegaremos a lugar algum.
Eu tenho dificuldade até em respirar, que é a ação na qual eu deveria ter a maior experiência. Imagine andar, falar, me comunicar. Imagine então pensar, sentir, amar. Imagine então viver… Eu respiro apenas durante 1% do meu dia. Isso nos dias em que eu respiro. Na maioria deles, eu tensiono o corpo e sigo contraído o dia todo. Uma vez no mês respiro fundo e lembro: “Como é bom isso!”.
Como não conheço a satisfação de uma vida cheia de respiração, busco sorvetes caros, chocolates, seriados, filmes, checar emails, livros, músicas, mulheres, diversão. E como não sei sequer ter prazer com a respiração, consumo toneladas de doces, conversas, palavras, sons e nada sinto. Toda ignorância é uma forma de anestesia.
Por que mesmo eu checo meus emails mais de uma vez por minuto mesmo quando estou concentrado fazendo outras coisas? Por que mesmo eu limpo minha lixeira e caixa de spam mais de uma vez a cada dez minutos? Será que eu realmente acredito que algum dia chegará um email que mudará minha vida? Qual o fim desse ciclo de insatisfação?
Qualquer fala ou decisão radical em relação a isso é perda de tempo. Qualquer certeza, qualquer incerteza, qualquer posição é estéril. Só nos resta a escuta.
Silenciosamente prestamos atenção aos sons do mundo. Sem descansar, sem vacilar, olhamos tudo, ouvimos cada movimento. Não é possível aprender nada, pois aprender é tentar falar enquanto se ouve. Apenas nos abrimos para o caos do mundo, sem poder sequer afirmar certezas ou incertezas e, pior, sem poder sequer deixar de lançar afirmações.
E então escrevemos em blogs, silenciosamente, oferecendo nossa escuta – e não nossa fala – ao outro. Oferecemos a espacialidade da nossa boca calada. Oferecemos o que não temos. Nossa ausência é o melhor presente e é, na verdade, nossa verdadeira presença.
O fato é que não sabemos nada.
Trabalho com espaços de transformação: