Contra o Academês

por Gustavo Gitti | 05/06/2010 18:06 | Comente!

“É importante ressaltar o quanto a determinação clara de objetivos aponta para a melhoria dos procedimentos normalmente adotados. Gostaria de enfatizar que a adoção de políticas descentralizadoras assume importantes posições no estabelecimento do processo de comunicação como um todo.”

“É importante ressaltar”? “Vale lembrar”? Como alguém ainda consegue escrever assim? O texto acima foi gerado automaticamente aqui, mas ele não é muito diferente do que é produzido por muitos acadêmicos (alunos e professores) no Brasil.

Parece que esse pessoal nunca leu um bom cientista como Francisco Varela ou um bom filósofo como Espinosa ou Marilena Chauí. Escrever em terceira pessoa sem fazer afirmações decisivas é ofício de jornalista estagiário do IG (sem ofensas, ok?). Hoje até cientistas flertam com a primeira pessoa e não tem medo de soltar afirmações bem fundadas, em vez de um vago e nada conclusivo “É importante ressaltar”. Veja textos do Rhodney Brooks do MIT, por exemplo.

Os grandes escrevem simples. Os gênios, os eruditos, os mestres, todos usam imagens, metáforas, fazem relações claras e sabem se comunicar e tocar os outros, muitas vezes se valendo de poesia. Portanto, escreva simples sempre e abuse de afirmações destemidas, do começo ao fim, não importa sua condição intelectual. Só assim um diálogo se constrói: alguém afirma algo com paixão, outro discorda e ambos ampliam a visão. Se o primeiro tivesse usado “É válido salientar”, nenhum diálogo teria acontecido.

Quando falo em “afirmações destemidas”, não me refiro a certezas sólidas, mas a um discurso que efetivamente se impõe e escolhe uma posição, mesmo que seja uma não-posição, mesmo que seja a dúvida total ou a crítica da necessidade de se tomar uma posição. O importante é falar, em alto e bom som. Se for um sussurro, que seja nítido, for God’s sake!

Cobranças

por Gustavo Gitti | 12/06/2008 12:03 | Comente!

Elas vêm das dez direções. É a namorada cobrando limpeza da casa, compra no mercado, atenção, respostas de emails, presença, sexo (!!!). São umas 5 pessoas aqui do trabalho. É o pai cobrando uma visita. É a mãe cobrando ligações e proximidade. São os professores de dança de salão, exigindo cada detalhe. Em todos os projetos e em todos os contatos, tem sempre alguém me cobrando por algo que eu deveria estar fazendo “pra ontem!”.

Em meio a isso, o que eu faço? Venho aqui escrever um post… óbvio!

Não lembro do dia que assumi tais dívidas. Lembro apenas de ter oferecido algumas coisas. De fato, não há uma única pessoa agora que me deve algo. Eu me esforço para lembrar, mas não encontro ninguém. Acho que não possuo alguém para cobrar…

O lance é sempre oferecer (mesmo críticas e ações iradas), e nunca cobrar. Mas também é estúpido cobrar os outros para agirem assim! Seria frustração na certa. “Ofereçam, seus carentes de merda!”, alguns aqui dentro gritam. Mas basta deixar a boca calada e continuar fazendo o melhor que posso, sem esperar que um dia não mais haja cobranças.

Os mundos e seres são insaciáveis. A sede e fome não se esgotam. Continue rolando pedras montanha acima, caro Sísifo. Apenas continue e não tenha medo quando um sorriso invadir-lhe o rosto.

Lógica do oferecer

por Gustavo Gitti | 31/07/2007 16:00 | Comente!

Falei sobre isso neste post aqui: “Oferecer (para homens)“. Hoje li um artigo do Ricardo Neves, consultor e colunista da Época (by the way, estou lançando o primeiro livro dele em versão digital). Pelo jeito, cada vez mais as pessoas estão se tocando que assim tudo funciona melhor. Veja que perfeito isso (artigo na íntegra):

“Prezado Ricardo: passei por vários empregos até meus 39 anos, quando perdi meu último emprego, na função de gerente de marketing de uma multinacional de turismo. A partir daí, durante vários meses, fiz o processo de sempre: dezenas de currículos enviados, o esforço de contatar toda a minha rede de conhecidos etc. Tudo difícil. Muita rejeição. Afinal, sou velho para o mercado.

Há cerca de dois meses tomei uma decisão diferente. Resolvi pensar não como um desempregado, mas como o gerente de marketing que já fui. Percebi que estava me promovendo como uma mercadoria banal, não como o ser humano produtivo e experiente que sou. Meu currículo mostrava apenas o que muito garoto de 27 anos já tem até de sobra, como MBA e experiência internacional. Decidi então mudar a tática. Usei a internet para pesquisar empresas de que gostava ou aquelas que tinham produtos relacionados a minha experiência. Selecionei inicialmente 20 empresas. Ao final, me concentrei em cinco, uma em cada segmento. Em vez de enviar meu currículo, mandei um e-mail com um estudo de mercado que elaborei para cada empresa. Minha análise incluía novas oportunidades de negócio, brechas que eu antevia em relação aos concorrentes, novos produtos que poderiam ser lançados ou reconfigurados. Junto, seguia minha proposta de trabalho.”

O que aconteceu com o leitor? As cinco empresas contatadas responderam com propostas de trabalho em apenas uma semana. Ele então escolheu uma na qual passou a receber um salário mensal fixo. Mas também começou a prestar serviço para mais duas delas, onde ganha por produção. Com a quarta empresa, mantém contato. Só descartou mesmo a quinta companhia. A empresa que lhe paga salário é francesa, trabalha com software. Está interessada na capacidade do leitor em entender o mercado brasileiro. Nada a ver com turismo, última área em que ele havia trabalhado.

Felicidade

por Gustavo Gitti | 26/07/2007 10:54 | Comente!

É quando sua namorada vai até a Batucadas 1000 comprar dois caxixis e um ganzá para você.

By the way, esse grandão ao lado é o Tar de 16” que comprei diretamente do Glen Velez (saiu metade do preço e, o melhor, sem frete).

Ah, e não, o tar não é pequeno: é o caxixi que é gigante mesmo.

CEBB SP: site e práticas

por Gustavo Gitti | 08/06/2007 13:54 | Comente!

Terminei hoje o novo site do Centro de Estudo Budistas Bodisatva São Paulo, orientado pelo Lama Padma Samten. O site antigo já estava impossível de atualizar e bastante, well… antigo.

Dentre as práticas, as mais diferentes são a direcionada aos jovens (“Budismo com Atitude: um projeto com arte tudo“) e a sanga kids que vai começar em breve (“Meditando e Brincando“).

Vou retomar o prática do cinema dia 30/6, com o filme Minha Vida Sem Mim.

E para quem quiser um aprofundamento na meditação, todo domingo tem 3h de silêncio.

Lei Rouanet para "Templos Religiosos"

por Gustavo Gitti | 29/05/2007 8:46 | Comente!

O Senado está a um passo de aprovar um projeto de lei, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus) que incluiria as igrejas entre as beneficiárias do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Vote contra aqui: Lei Rouanet para “Templos Religiosos” Petition.

Hai-kais não tradicionais

por Gustavo Gitti | 27/03/2007 10:08 | Comente!

Escrevi isso há um bom tempo… ;-)


Nas montanhas prenhes
o universo agradece:
Plantação de nuvem.

A fêmea apanha
O macho bate:
Suco de uva!

“A maçã de Newton
subiu ao chão”
Albert Einstein.

Éden

Vê, pega e põe na boca
A maçã se come
e vira homem.

Palavra verdadeira
aquela que fura o papel.
E atrás, o real

A aranha gentil
agratece a presa:
mosaico labiríntico.

Os olhos se tocam
As mãos se olham
Mágica do nariz.