Show do Béla Fleck

por Gustavo Gitti | 23/03/2007 13:40 | Comente!

Eu tive a sorte de ir nas duas sessões. Na segunda, sentei na terceira fileira bem no meio. Melhor lugar impossível! Estava com medo de eles repetirem as músicas, mas incrivelmente foi totalmente outro show, ou melhor, a continuação do primeiro. Eles repetiram apenas uma música (Big Country) no bis do segundo.

Adoro o som deles há anos e nunca imaginei que eles um dia viriam para cá… Ao vivo eles são bem melhores e reúnem a empolgação do rock, o groove do funk e os improvisos do jazz, além do toque indiano em algumas melodias.

Béla Fleck tocou com o mestre do bandolim Hamilton de Holanda (vídeo aqui) e o Jeff Coffin, como sempre, tocou dois sax ao mesmo tempo:

Rhythmcolor Exotica

por Gustavo Gitti | 01/03/2007 11:35 | Comente!

Glen Velez and Dodhran

Um dia vou compor e tocar o padrão polirrítmico da música “Procession for Bess”, do album Rhythmcolor Exotica, do Glen Velez. E então me dissolverei por completo, sem rastro algum, como se nunca tivesse existido.

Polirritimia

por Gustavo Gitti | 03/02/2007 23:01 | Comente!

Tocando uma polirritimia 5:3 (ciclo de 15) na bateria. Meu amigo toca uma 4:3 (ciclo de 12). Gravado na minha antiga casa, em Nov/2005, e enviado para o criador deste método. Mais informações no meu blog sobre ritmo: www.takadime.com

Aniversário

por Gustavo Gitti | 24/07/2006 8:45 | Comente!

Cabeça esfregada no lençol. Você acorda e lembra que os outros disseram que é seu aniversário. Você quer acreditar mas não se recorda de ter nascido nesse dia ou em qualquer outro. E assim passa o dia: como qualquer outro. Você levanta, toma banho, vai trabalhar, se cansa. Volta para casa e enfia a cabeça, esfregando no lençol. Você quer só 5 minutos para você. Olhos fechados, ouvindo a própria respiração pela primeira vez no dia, se espreguiçando sem se mover. Segundos assim e sua namorada vem reclamar, dizer que está atrasado para o jantar, que 5 minutos é muito, que você tem de tomar banho, que assim não dá.

5 minutos é muito mesmo. Sua vida não é sua. Sua vida não é para você. Não é por acaso que não lembra de ter nascido. Você não quis nascer, quiseram por você. Você vive para os outros e é assim que tem de ser. O jantar, aliás, não envolve sua comida preferida e nem será naquele restaurante que você estava querendo tanto conhecer. O jantar é para sua família. Seu trabalho é para a empresa. Suas ações, para os outros.

Antes de levantar, você pede um carinho e começa a contar a única coisa do dia que não foi completamente esquecida. E quem quer saber do seu dia? Você está aqui para ouvir. Coloque-se em seu lugar. Triste seria se você conseguisse o que deseja, se vivesse para si mesmo, se você mesmo lembrasse de seu aniversário, se houvesse comemoração.

O único presente do dia é um bolo, feito à mão, total carinho. Não se preocupe, porém: você não vai comê-lo sozinho, o bolo seu é de todos. Começa uma depressão quando você percebe que ainda é uma pessoa que precisa de presentes. Só que os anos 70 do Aerosmith estão entrando ouvido adentro e quem mesmo precisa de presentes?

Cantam parabéns e você come o bolo. Você não sente o gosto e não vai conseguir se lembrar dele depois. Isso porque ele foi feito para você e não é assim que funciona. Na sua memória estão as coisas que fez pelos outros. No coração, vivem ainda somente as felicidades que presenciou nas faces diante de você. Aquela sua alegria, que não se refletiu em nenhum outro ser, é facilmente esquecida.

Volta do jantar e encontra o lençol marcado por sua cabeça. Você deita e esquece de você mesmo. Para além da depressão, não ter vida própria é liberação. Um dia você sequer deixará marcas no lençol ou rastros pelo chão. Sem precisar de aniversários, encontrará a alegria insuperável de preocupar-se só em fazer bolos para os outros – e só haverá outros. O sorriso derradeiro virá quando ninguém mais se lembrar de você. Você torce para que isso não demore. Como diz Borges, a meta é o esquecimento.