Elas vêm das dez direções. É a namorada cobrando limpeza da casa, compra no mercado, atenção, respostas de emails, presença, sexo (!!!). São umas 5 pessoas aqui do trabalho. É o pai cobrando uma visita. É a mãe cobrando ligações e proximidade. São os professores de dança de salão, exigindo cada detalhe. Em todos os projetos e em todos os contatos, tem sempre alguém me cobrando por algo que eu deveria estar fazendo “pra ontem!”.
Em meio a isso, o que eu faço? Venho aqui escrever um post… óbvio!
Não lembro do dia que assumi tais dívidas. Lembro apenas de ter oferecido algumas coisas. De fato, não há uma única pessoa agora que me deve algo. Eu me esforço para lembrar, mas não encontro ninguém. Acho que não possuo alguém para cobrar…
O lance é sempre oferecer (mesmo críticas e ações iradas), e nunca cobrar. Mas também é estúpido cobrar os outros para agirem assim! Seria frustração na certa. “Ofereçam, seus carentes de merda!”, alguns aqui dentro gritam. Mas basta deixar a boca calada e continuar fazendo o melhor que posso, sem esperar que um dia não mais haja cobranças.
Os mundos e seres são insaciáveis. A sede e fome não se esgotam. Continue rolando pedras montanha acima, caro Sísifo. Apenas continue e não tenha medo quando um sorriso invadir-lhe o rosto.
Trabalho com espaços de transformação:
oi, ehehe sou nova por aqui, vi um comentario seu no grupo yahoo.. gostei do texto,desse texto!
“One must imagine Sisyphus happy.”
um sorriso sempre invade meu rosto quando vejo uma referência como essa. :)
Pois é. Eu gosto muito do Camus. Lembro até hoje de minha empolgação e medo ao ler O ESTRANGEIRO.
Vejo o existencialismo como algo que chegou na metade do caminho do budismo, especialmente com a noção de absurdo em Camus e liberdade em Sartre.