Contardo Calligaris

por Gustavo Gitti | 26/02/2005 12:00 | 0 comentários

Entrevista com Contardo Calligaris (adoro este cara!) na TRIP (trechos):

“É possível ter carinho pela pessoa com quem a gente transa e transar com a pessoa por quem sentimos carinho. Mas em uma alternância. O sexo não é o momento do carinho. Quando as relações se tornam totalmente carinhosas e as pessoas começam a falar como bebês, daqui a pouco somos o Mickey e a Minnie e vamos dormir com o pijaminha da Disney. Pode ser legal, mas aí a gente vai acabar não transando mais. Por isso que um bom casal é um casal que briga.”

“o sexo implica uma certa distância.”

“Quero dizer que a diversidade das relações é dramaticamente desinteressante. A grande maioria das pessoas vive uma série de monogamias. São poucas as que preferem uma vida de quinze capitais em quinze dias. E a verdade é que isso é muito pouco interessante. Porque não existe nada de mais interessante no mundo do que as pessoas. E, se você inventa um sistema de relações que na verdade é um sistema de não-rela-ções, se priva do que há de melhor na vida.”

“Não é a variedade, mas o desconhecido que tem valor erótico. Se você está disposto a ter uma transa num canto escuro de um parque com alguém que nunca viu, isso é uma fantasia sexual do caramba. Só não esqueça a camisinha. Mas ser galinha e ter um flerte com uma conversa babaca a cada dois dias não tem interesse nenhum, nem sexual, nem individual. Entendo perfeitamente uma atividade sexual de sauna, de clube de swing, mas essa do ‘eu flerto, bato um papinho, dou dois beijos e passo para outra’ não tem nenhuma graça.”

“A hipótese que levanto é que a nova geração erotiza menos as relações de domínio. E, portanto, falta o elemento que era para as gerações precedentes uma das fontes essenciais da excitação. Quando falo ?erotizar as formas de domínio?, não significa nada de espantoso. É aquele casal que se adora e na hora da transa ele diz ‘toma aqui, sua puta’ e os dois gozam freneticamente.”

“Caso você pretenda mudar o mundo, lembre-se de que, provavelmente, você não está à altura do mundo mudado segundo seu desejo. Se pretende transformar seu parceiro ou sua parceira, lembre-se de que você, provavelmente, não está à altura do parceiro ou parceira assim transformados. Quem quer mudar as coisas facilmente esquece de contar-se entre os itens a serem mudados.”

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