
“É importante ressaltar o quanto a determinação clara de objetivos aponta para a melhoria dos procedimentos normalmente adotados. Gostaria de enfatizar que a adoção de políticas descentralizadoras assume importantes posições no estabelecimento do processo de comunicação como um todo.”
“É importante ressaltar”? “Vale lembrar”? Como alguém ainda consegue escrever assim? O texto acima foi gerado automaticamente aqui, mas ele não é muito diferente do que é produzido por muitos acadêmicos (alunos e professores) no Brasil.
Parece que esse pessoal nunca leu um bom cientista como Francisco Varela ou um bom filósofo como Espinosa ou Marilena Chauí. Escrever em terceira pessoa sem fazer afirmações decisivas é ofício de jornalista estagiário do IG (sem ofensas, ok?). Hoje até cientistas flertam com a primeira pessoa e não tem medo de soltar afirmações bem fundadas, em vez de um vago e nada conclusivo “É importante ressaltar”. Veja textos do Rhodney Brooks do MIT, por exemplo.
Os grandes escrevem simples. Os gênios, os eruditos, os mestres, todos usam imagens, metáforas, fazem relações claras e sabem se comunicar e tocar os outros, muitas vezes se valendo de poesia. Portanto, escreva simples sempre e abuse de afirmações destemidas, do começo ao fim, não importa sua condição intelectual. Só assim um diálogo se constrói: alguém afirma algo com paixão, outro discorda e ambos ampliam a visão. Se o primeiro tivesse usado “É válido salientar”, nenhum diálogo teria acontecido.
Quando falo em “afirmações destemidas”, não me refiro a certezas sólidas, mas a um discurso que efetivamente se impõe e escolhe uma posição, mesmo que seja uma não-posição, mesmo que seja a dúvida total ou a crítica da necessidade de se tomar uma posição. O importante é falar, em alto e bom som. Se for um sussurro, que seja nítido, for God’s sake!
Trabalho com espaços de transformação:
kakaka, serendipity!!! rs
esse texto acertou o alvo em cheio com um trabalho q tenho q apresentar na pós e com outro que entrego hoje.
o primeiro critica justamente os mesmos pontos que vc levanta e viabiliza algumas relações com a obra, – veja só – do Becker, em “a negação da morte” e tb com alguns textos do Alan Wallace.
agora, p o seminário, vou incluir esse seu texto tb: mais uma fonte, eclética, pra corroborar o que aqui, simples e direto, vc já diz tudo.
hehehe, valeu! obrigada pela ajuda. :0)))
Ótima dica!
Às vezes, a forma de escrever pode gerar uma falsa interpretação da pessoa que escreve…já fui vítima de minhas próprias palavras, por pura timidez de me expor…Passarei a tomar mais cuidado :)
Tenho medo de cair nisso…
Me avise!
Gustavo, gostei muito do que vc escreveu, mas tenho ainda algumas dúvidas…. Ainda não fiz minha monografia, tive que trancar minha faculdade por motivo de doença, mas muito em breve terei que me dedicar a isso e sua postagem me deixou intrigada. Como estou afastada há quase dois anos do meio acadêmico, pelo motivo citado, receio estar desatualizada, mas até onde eu saiba, alguns professores não aceitam trabalhos escritos em primeira pessoa. Aliás, lembro muito bem de críticas que presenciei: “Isso não é um artigo do opinião! Não tenho interesse no que vc acha, mas no que vc pesquisou e precisa expor de modo impessoal.”
Isso realmente mudou? Será mesmo? Peço permissão para copiar seu texto e utilizar como fonte para necessidades acadêmicas futuras, caso alguém queira me criticar. Adorei seu posicionamento objetivo e o considero ideal como referência.
=)
[...] 2. Não escreva em “academês”. [...]