Desidentifique-se

por Gustavo Gitti | 14/06/2004 13:10 | 0 comentários

“Desidentifique-se perpetuamente. Você não é nem homem, nem mulher, nem criança, nem velho, nem francês, nem americano, nem representante de qualquer nacionalidade, nem judeu, nem cristão, nem budista, nem boa pessoa, nem membro de determinada categoria, nem quem quer que seja que pareça com isto ou aquilo. Há essa sensação, aquela outra e depois mais outra e você não é nem uma, nem outra, nem a seguinte e nem as que a sucederem. O espaço onde os pensamentos nascem não tem cara. A luz da consciência é impessoal. Volte à terra, ao contato com o chão. Onde você está? Você está aí. Quem é você? Você é aí. Aí.” -PIERRE LÉVY

0 comentários

  • Fábio says:

    Postando a opinião de um amigo:

    “Tudo bem. Mas o “aí” acontece sobre o pano de fundo da
    memória. Se vivêssemos num eterno presente, jamais
    aprenderíamos coisa alguma,nem mesmo a capacidade – ou a
    necessidade, identificada por Lévy – de vivermos em estado de perpétuo estranhamento e inacabamento.”

  • Gustavo says:

    Fábio. Concordo, vamos lá… (complementando o Lévy)

    Identifique-se perpetuamente. Você é homem, mulher, criança, velho, francês, americano, representante de toda nacionalidade, judeu, cristão, budista, boa pessoa, membro de determinada categoria, tudo o que possa surgir em todos os mundos. Há essa sensação, aquela outra e depois mais outra e você é cada uma delas. O espaço onde os pensamentos nascem tem todas as caras. A luz da consciência é pessoal.

    E ao mesmo tempo (as montanhas voltam a ser montanhas…):

    você é apenas você, e talvez não consiga ser sequer você mesmo…

    tem passado, sim, e mal vive o presente…

    acredita que o futuro ainda não chegou, etc, etc.

  • Fábio says:

    Adicionando minha resposta:

    “Bem…claro que concordo com vc…

    (…)

    Mas por outro lado penso que “exercícios” como esse podem ser de alguma forma liberadores se eu considerar que é embaraçoso estar fortemente identificado com objetos tão frágeis ou ‘finitos’ como profissão, nacionalidade, ‘religião’, raça, e todas essas pertinências.

    Talvez nos ajude a lidar de forma menos desejosa com esses objetos, com maior desapego, menor ansiedade, e tal…

    Se são objetos que podem ser identificados, eles não são o identificador…

    Que vc pensa disso?”

    Valeu?
    ;-)

    Fábio

  • Gustavo says:

    Fábio, coloquei nossa discussão na lista para continuarmos por lá, ok?

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