Ano passado eu fui ver a Cia. de Dança Mimulus no Sesc Pinheiros. O espetáculo era sobre tango e se chamava “De Carne e Sonho” (música ao vivo com uma orquestra de tango). Ontem, no Sesc Vila Mariana, foi a vez de “Do lado esquerdo de quem sobe”, uma verdadeira obra-prima que mostra o melhor da arte brasileira. Fiquei muito feliz ao saber que este mesmo espetáculo será apresentando na França, no Maison de La Danse.
A Mimulus não reproduz as danças de salão e não faz dança contemporânea tampouco. Assim como Ivaldo Bertazzo e Denise Stoklos, Jomar Mesquita (líder do grupo) tece paralelos entre alegria e romantismo, movimenta os ânimos do público, brinca com nossas emoções e aponta para o transcendente – faz pura arte. Minha namorada já assistiu a muitos espetáculos de dança (de todos os tipos) e nunca havia chorado. Neste ela se dissolveu toda, especialmente na dança de Jomar com Juliana. Confesso que ali até eu considerei as lágrimas como uma consequência do que eu estava sentindo. ;-)
Não só a dança é boa (flertando com passos de samba de gafieira e um pouco menos com lindy hop), mas o espetáculo como um todo: a poética, a ludicidade, a originalidade. Há danças com cordas, teatro, humor, cenas de extrema sensibilidade. Cada coisa usada na medida certa, sem excessos. Tudo isso sustentado por uma das melhores trilhas que já ouvi, de Yamandu Costa e Thiago Espírito Santo. Simplesmente um show! Se fosse só a música, já teria valido a pena.
Em tempo: “mimulus” é também o nome de uma flor.

Baterista sem bateria, quase aluno de TaKeTiNa, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro.