Dogville

Vi Dogville ontem, no único cinema no qual ele ainda estava em cartaz aqui em Sampa.

Precisava de algo para contrastar com “Samwaad”, e acho que fui no lugar certo. Em um, o melhor da humanidade. Em outro, toda a sua merda.

Saí do cinema sem interpretação nenhuma. Não conseguia montar uma explicação e “entender” a história. Levei a perplexidade para casa. No nível social, é uma gigantesca crítica aos Estados Unidos (basta ouvir a música dos créditos), em específico, e a todas as merdas que jazem latente nos homens, de forma ampla. No nível psicológico, é um ensinamento fractal que nunca chega a ensinar algo, apenas remete você a você mesmo. Mas há outros níveis, e neste reina a perplexidade.

Um amigo meu havia me falado que “Dogville” é uma brincadeira poética com GOD (Dog escrito de trás para frente) VIEW (quase a mesma pronúncia de “Ville”). Perspectiva de Deus, olho de Deus.

O diretor é o mesmo do grande “Dançando no Escuro”. Os dois filmes são obras-primas.

Fica a indicação para quem quer tomar um soco na cara.

A humanidade é mesmo uma coisa além do humano!

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14/07/2004 | cinema

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