Equívoco nosso pensar que a fase adulta, a maturidade, surge quando cessa uma suposta inocência infantil ou em algum momento após a adolescência. Para um ser se tornar adulto, basta que a barreira entre ele e os adultos se dissolva. Quando um menino começa a ver que seu pai é tão confuso quanto ele, quando percebe que os problemas não se resolverão quando crescer, quando abandona a ilusão do paraíso adulto, eis ali um adulto surgindo.
A maturidade autêntica é quase um estado existencial. O que diferencia um menino-criança de um menino-adulto é simplesmente o grau da ilusão que eles possuem em relação ao mundo adulto: no primeiro há a ilusão de que “os adultos sabem das coisas”, um certo refúgio na miragem da maturidade; no segundo a ilusão começa a ruir e o refúgio se expande buscando outros referenciais (busca que já caracteriza o mundo adulto).
Baterista sem bateria, quase aluno de TaKeTiNa, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro.