Segundo Ken Wilber, até Nagarjuna, a prática espiritual parava no nível causal (ausência de fenômenos) e tal realização era denominada nirvana (“cessação”, significado que realmente apoia tal hipótese wilberiana). A genialidade de Nagarjuna, diz Wilber, é dizer que a iluminação não é o nirvana, nesse sentido causal, e sim a não-dualidade, no qual atravessamos o portão sem portas e chegamos ao lugar em que sempre estivemos. Depois do causal (vacuidade), simplesmente mergulhamos lucidamente de volta para os mundos fenomênicos (forma). Não há unidade, nem dualidade, nem mesmo não-dualidade!
A chave aqui é compreender que mesmo a não-dualidade e a dualidade são não-duais. Há uma aparência de dualidade antes de atravessarmos o portão sem portões (gateless gate), mas logo após que temos a sensação de termos atravessado, dizem os mestres, olhamos para trás e vemos que nunca houve portão algum!
Nagarjuna disse que nunca construiu nenhuma teoria e nunca postulou nenhuma verdade. Ele simplesmente foi uma máquina de dissolver equívocos! Mais aqui.
Trabalho com espaços de transformação: