A abordagem integral, na prática, me possibilita duas coisas no diálogo com as pessoas:
1. Dissociar o ser de sua visão, ou o ser de seu “nível” (meme) dominante — a discordância, de seres, passa a ser de níveis. A ajuda só é possível, como nos ensina o Budismo, se reconhecemos incessantemente a natureza livre dos seres. Ou mesmo no cristianismo, a confusão, a ignorância, o mal, é visto como ausência de Luz, ou como a face de Deus que se esqueceu de si mesmo. Se olharmos para os seres assim, fica fácil criticar a visão e possibilitar a morte naquele nível e um renascimento em um nível superior, mais abrangente e compassivo. A visão integral nos dá este tipo de confiança na natureza das coisas.
2. Criar uma maior liberdade ao transitar por várias visões, de modo a se comunicar mais diretamente com o mundo semântico de cada pessoa. Quando você começa a pensar integralmente, você vai entendendo os limites de cada visão e consegue ser mais
compassivo diante de visões menos abrangentes. Ao perceber que cada visão inferior evoluiu para uma superior, você pára de tentar acabar com as visões que você transcendeu e incluiu (“deixou para trás”) e naturalmente ajuda os seres envolvidos a levá-las até o fim. É estupidez matar um bebê simplesmente por ele não saber falar: dê-lhe comida e espere ;-)
Exemplo: ao abandonar a noção de Deus Criador, e abarcar tal visão, você consegue contribuir para a saúde de quem está apegado a esta noção. Você pode, por um momento, pensar deste jeito e atingir mais diretamente os seres. Você, tendo incluído uma visão, pode relativizá-la e mostrar suas limitações. Isto é tremendamente liberador e benéfico, especialmente no mundo em que vivemos, com tantas visões conflitantes.
A abordagem pode parecer nova, mas isso já vem sendo feito há tempos. Este lance de negar, transcender, incluir, e depois ficar livre para transitar é exatamente o que todos os sábios sempre fizeram. O próprio Ken Wilber reconhece isso.
A compaixão suprema somente surgirá quando você transcender todas as visões e ficar livre para entrar e brincar com cada uma delas.
Trabalho com espaços de transformação: