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Sobre o tal do “sexo tântrico”

por Gustavo Gitti 22 January 2005 Um comentário



Sexo TântricoUm tópico na comunidade “Tantra Brasil” no Orkut:

“No sexo tantrico o homem aprende a desenvolver um prazer constante durante a relação, e não apenas no momento da ejaculação. Se o praticante está tendo prazer durante toda a relação, a ejaculação se torna desnecessária. Além disso, como é amplamente conhecido, quando o homem ejacula ele perde sua Shakti ou Energia Manifesta. Eu tenho uma questão: quando o homem ejacula na mulher, a energia desprendida no ato fica com a mulher? Eu penso que sim, mas queria ouvir outras opiniões.”

Minha resposta:

Quando ejaculamos, trazemos ao nível biológico o que estava no nível sutil (já pensou em como é possível produzir uma nova vida?), e portanto a mulher não recebe a energia original de nós, apenas o líquido mesmo. Ela também, quando tem um orgasmo (ou vários), perde sua energia.

Além disso, é preciso lembrar que Shakti é diferente de Prana. Enquanto o segundo é energia do nível biológico-emocional-corporal (o nível 2 no modelo de Ken Wilber), equivalendo ao “ki” japonês e ao “chi” chinês; o primeiro (shakti) é toda a energia da manifestação do Kosmos, todas as formas, as luzes, os objetos, etc. Nesse sentido, Shakti faz amor com Shiva (a consciência informe, o espelho, o espaço no qual Shakti surge, os olhos para os quais Shakti dança), o aspecto masculino do universo. Shakti = imanência. Shiva = transcendência. Leia mais sobre isso nos livros de Ken Wilber.

No mais, prossigamos com nossa prática espiritual nos atos sexuais também. Apenas isso.

“Sexo tântrico” é para quem pratica “tantra” e isso é algo bastante raro – destina-se apenas a praticantes avançados. De forma simples, o sexo tântrico seria a mais alta forma de prática do tantra (aplicado à energia mais forte, que mais nos desequilibra, a sexual). E a prática do tantra seria, por si só, a mais alta forma de prática espiritual (trabalhar com a sabedoria inata das energias negativas, com a sabedoria a priori da não-dualidade). Portanto, o sexo é o supra-sumo do tantra, que é o supra-sumo da espiritualidade. Deu para entender por que é impossível começar diretamente pelo sexo?

Meu conselho para os curiosos aqui [do Orkut] ou aqueles que pensam praticar o tal do “sexo tântrico” é: abandone esta terminologia e contente-se com sua prática medíocre. Nós todos precisamos ainda aprender a trabalhar com energias menos fortes, como a raiva, a preguiça, o orgulho. O sexo é para mestres.

Quer ser espiritual? Seja. Quer fazer sexo? Faça. Consegue segurar a ejaculação por 4 horas? Isso é tão difícil. Mas não venha me dizer que pratica “sexo tântrico”…

Cuidado com os De Roses que existem por aí… Prática espiritual séria é outra coisa.



Um comentário »

  • Carolina Vianna said:

    Huumm.. mas faz sentido que a energia vá pra mulher, afinal, é a energia que dará início a uma nova vida, não? Se não é só código genético… e a energia que vai pro bebê é toda da mãe.. Não?

    (caramba que post antigo!! =D)

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